Dólar fecha a R$ 3,30, com valorização de 17%
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terça-feira, 30 de julho de 2002
Agência Folha 
São Paulo - Mais uma vez o dólar encerra o dia em forte alta, a R$ 3,295 na compra e a R$ 3,300 na venda, e registra a sétima cotação recorde consecutiva contra o real. Agora, a valorização da moeda norte-americana já chega neste mês a 17,02% - quase a valorização acumulada em todo o primeiro semestre, que foi de 21,80%.
O Banco Central anunciou pouco antes do fim dos negócios que vai manter, durante todo o mês de agosto, a política de intervenções diárias no câmbio cumprida em julho. Como em julho, o montante por dia continua sendo de US$ 50 milhões, quantia considerada pequena pelo mercado para melhorar a falta de dólares à venda.
Para todo o mês o BC reservou R$ 1,835 bilhão, mas diferente do que fez em julho, já definiu que US$ 735 milhões serão usados na na rolagem de US$ 770 milhões em linhas externas que vencem em agosto. O restante, US$ 1,100 bilhão, será vendido no mercado à vista, como prefere o mercado.
A alta de ontem - a cotação havia cedido um pouco após o intervalo do almoço - se deve, segundo operadores, à busca de dólares para cobrir contratos futuros na tentativa de equiparar o valor do dólar no contrato para agosto com o valor à vista.
O contrato para agosto é balizado pela Ptax (média das cotações diárias colhida pelo Banco Central) de hoje, último dia útil de julho. Ontem, o dólar para agosto fechou em alta de 4,25% a R$ 3,28 - ainda mais barato que o dólar à vista.
A falta de liquidez a qual os analistas atribuem a alta do dólar se deve ao estreitamento das linhas externas para o país. Para isso, coopera a crise de confiança externa, que levou os investidores globais a reduzirem sensivelmente sua exposição ao risco após a onda de escândalos contábeis nos EUA e na Europa, e à disparada do risco-país brasileiro, que está em 2.408 pontos, alta de 11,3%.
A Bovespa (Bolsa de Valores de ) fechou pelo segundo dia em alta, apesar do nervosismo no mercado de câmbio. Ontem, o principal índice da Bolsa paulista encerrou em alta de 1,09%, aos 9,341 pontos e volume financeiro de R$ 828,524 milhões.
Para o diretor da corretora Ágora-Sênior, Álvaro Bandeira, a alta reflete uma correção técnica e uma busca do investidor por ativos reais para proteger seu dinheiro. Ativo real é como o mercado chama todo tipo de bem concreto, como imóveis, carros, ouro, dólar e ações de empresas sólidas.
Investidores buscam comprar ações de empresas com presença no exterior, com perfil exportador, cujas receitas sobem no mesmo passo que o dólar. Além disso, são bem avaliadas pelo investidor estrangeiro.


