São Paulo O dólar comercial fechou ontem em exatos R$ 3, depois de oito dias sendo vendido abaixo deste patamar. A valorização da moeda norte-americana foi de 1,86%. Ganham força as apostas de que as cotações vão subir ainda mais a partir de agora, e por isso bancos e investidores aproveitam para comprar.
O mercado vê o fim da euforia exagerada das últimas semanas e prepara-se para um acerto do dólar. O debate sobre os juros foi o principal motivo de tensão para os investidores, além do risco de recessão econômica mundial. ''O mercado ficou mais nervoso no período da manhã, quando houve mais saídas'', afirma Alessandro Malagutti, operador da corretora Comex.
Se na semana passada chegou a ser consenso entre economistas de que o Banco Central deveria reduzir a Selic (taxa básica de juros), ontem o mercado se mostrou cético em relação ao assunto. Alguns analistas ainda acreditam que há espaço para o corte, por conta dos números que demonstram tendência de desaceleração da inflação e das recentes quedas do risco Brasil, mas outros defendem uma atitude mais cautelosa: a de esperar que os bons indicadores se consolidem.
Pelo que as últimas declarações do governo indicam, essa última alternativa deve ser a adotada pelo BC. Ontem, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, afirmou que os dados sobre inflação têm sido positivos mas ponderou que ainda não se pode descuidar, ''pois temos a herança de uma inflação muito alta nos meses anteriores''.
Por conta de um movimento de realização de lucros, o C-Bond, título mais negociado da dívida externa brasileira, teve desvalorização de 1,84% e fechou vendido a 86,875% do valor de face. O risco-país sobiu 2,61%, para 823 pontos.

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