São Paulo - O dólar comercial foi cotado a R$ 2,120 na venda, em baixa de 1,98%, nas últimas operações de ontem. Na semana, o preço da moeda americana declinou 8,46%, após uma bateria de ações agressivas do Banco Central para deter a especulação que inflou as cotações para R$ 2,26, a cotação máxima nos últimos cinco dias. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,220, número 3,47% abaixo da taxa anterior.
  Para deter a escalada do câmbio, o Banco Central lançou mão de leilões diários de moeda, para fornecer liquidez num mercado travado pela tensão com a crise mundial. Vendendo moeda no mercado à vista, tanto como no mercado futuro (por meio da oferta de contratos de swap cambial), a autoridade monetária contribuiu para segurar as cotações na faixa dos R$ 2,15 e R$ 2,26, no momento de maior estresse da semana.
  Hoje, o BC voltou à carga com um novo leilão de ‘‘swap’’ cambial, por volta das 12h45, em que o mercado aceitou todos os 28.000 contratos em oferta, com vencimento para janeiro de 2009.
  A medida mais influente, no entanto, foi anunciada um pouco mais tarde. O presidente do BC, Henrique Meirelles, anunciou ontem que o banco vai leiloar dólares para ajudar no financiamento das exportações no país. Nas últimas semanas, várias empresas que atuam no segmento de comércio exterior reclamavam que a crise financeira havia reduzido o crédito disponível na praça e elevado o custo da ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio).
  No mercado de câmbio, profissionais de bancos e corretoras já comentavam que o governo poderia anunciar a qualquer momento medidas para ajudar os exportadores, o que poderia tirar alguma pressão sobre as cotações. Operadores nas mesas já relatavam casos de empresas que, premidas por compromissos, estavam fechando operações de compra e venda de moeda ‘‘a qualquer preço’’.
  ‘‘A decisão de liberar dólares das reservas internacionais, com direção determinada aos exportadores, juntamente com as demais atuações do BC no câmbio, devem amenizar eventuais pressões negativas externas sobre o câmbio doméstico e reforçar as positivas’’, avaliou Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, em seu comentário periódico sobre mercado financeiro.
  O primeiro leilão está programado para segunda-feira, entre as 16h e 17h, no montante de US$ 2 bilhões. Segundo o BC, os bancos terão de direcionar os recursos do leilão para novas operações de comércio exterior, sendo elas ACC, ACE (Adiantamento de Cambiais Entregues) e outros tipos de financiamentos de importação.

mockup