Dólar fecha a R$ 2,12 e cai 8,4% na semana
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Folhapress 
São Paulo - O dólar comercial foi cotado a R$ 2,120 na venda, em baixa de 1,98%, nas últimas operações de ontem. Na semana, o preço da moeda americana declinou 8,46%, após uma bateria de ações agressivas do Banco Central para deter a especulação que inflou as cotações para R$ 2,26, a cotação máxima nos últimos cinco dias. Nas casas de câmbio paulistas, o dólar turismo foi negociado a R$ 2,220, número 3,47% abaixo da taxa anterior.
Para deter a escalada do câmbio, o Banco Central lançou mão de leilões diários de moeda, para fornecer liquidez num mercado travado pela tensão com a crise mundial. Vendendo moeda no mercado à vista, tanto como no mercado futuro (por meio da oferta de contratos de swap cambial), a autoridade monetária contribuiu para segurar as cotações na faixa dos R$ 2,15 e R$ 2,26, no momento de maior estresse da semana.
Hoje, o BC voltou à carga com um novo leilão de swap cambial, por volta das 12h45, em que o mercado aceitou todos os 28.000 contratos em oferta, com vencimento para janeiro de 2009.
A medida mais influente, no entanto, foi anunciada um pouco mais tarde. O presidente do BC, Henrique Meirelles, anunciou ontem que o banco vai leiloar dólares para ajudar no financiamento das exportações no país. Nas últimas semanas, várias empresas que atuam no segmento de comércio exterior reclamavam que a crise financeira havia reduzido o crédito disponível na praça e elevado o custo da ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio).
No mercado de câmbio, profissionais de bancos e corretoras já comentavam que o governo poderia anunciar a qualquer momento medidas para ajudar os exportadores, o que poderia tirar alguma pressão sobre as cotações. Operadores nas mesas já relatavam casos de empresas que, premidas por compromissos, estavam fechando operações de compra e venda de moeda a qualquer preço.
A decisão de liberar dólares das reservas internacionais, com direção determinada aos exportadores, juntamente com as demais atuações do BC no câmbio, devem amenizar eventuais pressões negativas externas sobre o câmbio doméstico e reforçar as positivas, avaliou Miriam Tavares, diretora da corretora AGK, em seu comentário periódico sobre mercado financeiro.
O primeiro leilão está programado para segunda-feira, entre as 16h e 17h, no montante de US$ 2 bilhões. Segundo o BC, os bancos terão de direcionar os recursos do leilão para novas operações de comércio exterior, sendo elas ACC, ACE (Adiantamento de Cambiais Entregues) e outros tipos de financiamentos de importação.


