''O câmbio de gringolou''. Esse foi o comentário de um operador sobre a alta de 1,85% registrada ontem pelo dó lar, que fechou os negócios sendo vendido a R$ 2,76. Mais um recorde absoluto do real, já que a moeda norte-americana fechou na cotação máxima do dia. O Banco Central chegou a intervir, mas sem o objetivo claro de conter a disparada das cotações. ''O mercado quer hedge (proteção) e não há vendedor'', disse um operador.
O temor de que a desaceleração da economia mundial e doméstica se intensifique tem sido o principal gatilho da demanda por hedge. Os ataques terroristas aos EUA e a incógnita em relação aos desdobramentos desse ato aumentaram o sentimento de insegurança no mercado de câmbio doméstico, que já estava atordoado por golpes anteriores desferidos por problemas locais e internacionais.
Embora o mercado de câmbio tenha motivos suficientes para se desestabilizar sem a influência dos mercados externos, o comportamento do câmbio nesta quinta-feira também esteve ligado às fortes quedas das bolsas estrangeiras. Tóquio, Londres e Nova York fecharam em fortes baixas. Os títulos da dívida brasileira, argentina e mexicana também tiveram um dia de perdas. ''O cenário esteve pessimista'', comentou um operador.
Num dia como esse, o mercado de câmbio também não perdeu a oportunidade para testar o Banco Central, na expectativa de que a autoridade monetária oferecesse títulos cambiais como hedge. O BC, no entanto, atuou no mercado vendendo dólares. Ontem, pela primeira vez, o dólar fechou acima de R$ 2,71 sob a observação quase passiva do BC.
Os tombos das bolsas internacionais não deram chance à Bovespa ontem. O índice paulista fechou em baixa de 1,87% e o volume financeiro somou R$ 513 milhões. Motivos para as quedas não faltaram: cresce o medo em relação ao contra-ataque norte-americano ao Afeganistão, sobram análises de desaceleração econômica global e empresas americanas não param de dar más notícias.

Em Nova York, o Dow Jones despencou 4,37% e a Nasdaq se desvalorizou 3,72%. Na Europa, a Bolsa de Londres recuou 3,49%; Paris, -3,88%; Frankfurt, -5,74%; e Madri, -3%. A Bolsa de Buenos Aires fechou em forte queda de 4,07%, também por causa da ação de piqueteiros e de rumores, negados oficialmente, de que o ministro Domingo Cavallo sairia do governo.
No ranking do Ibovespa, Embraer ON e PN despencaram 16,67% e 16,08%, respectivamente. Só em setembro, as ações ordinárias da empresa acumulam queda de 44,69% e as preferenciais, de 50,00%, perdas causadas pela aversão mundial ao risco das companhias aéreas.

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