São Paulo - Após operar durante todo o dia em baixa e registrar alta por alguns momentos, ontem à tarde, o dólar acabou fechando estável pelo segundo dia consecutivo, a R$ 3,91 para venda e R$ 3,90 para compra. Segundo operadores, a pressão durante a tarde ocorreu por parte de alguns bancos que compraram dólares para liquidar dívidas que vencem amanhã, o que pode se estender até hoje.
Em contrapartida, alguns investidores estariam vendendo dólares para se precaver de uma esperada queda das cotações após o segundo turno da eleição presidencial, neste domingo, diante da crença de que o mercado já teria encontrado seu piso - ou no caso do dólar, seu teto.
Os vencimentos privados de amanhã, ainda segundo os cálculos do mercado, somam US$ 500 milhões, sendo que três grandes bancos, dois estrangeiros e um brasileiro, respondem por 60% desse valor.
Além disso, um quarto banco de investimentos brasileiro que já havia comprado uma quantidade volumosa de dólares ontem deu continuidade à operação nesta quarta-feira.
Hoje o mercado havia aberto mais ''tranquilo'', com a liquidação, pelo Banco Central, de uma dívida de US$ 1,1 bilhão que vinha pressionando a cotação do dólar.
O ajuste dessa dívida - eram contratos cambiais, que não são resgatados pelo seu valor integral, mas apenas ajustados de acordo com os juros e a variação cambial - é feito em reais, pela mediana das cotações calculada pelo BC (Ptax) do dia anterior. Por isso, alguns instituições inflam a cotação do dólar para aumentarem seu lucro no resgate.
Já a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de manter a taxa referencial de juros em 21% ao ano, anunciada no início da tarde, ficou em linha com as expectativas do mercado. A taxa fora elevada em três pontos para conter a inflação em uma reunião extraordinária na semana passada.
Bovespa - A Bolsa de Valores de São Paulo não subia tanto em tão pouco tempo desde o final de janeiro de 99, mês da desvalorização do real, quando os preços das ações sofreram forte correção. Ontem, o índice Bovespa -que reúne as 55 ações mais negociadas do mercado paulista - fechou em alta de 5,45%, aos 9.840 pontos, máxima do dia.
Foi a quinta valorização consecutiva. Nessa sequência, o Ibovespa acumulou ganhos de 17,5%. Esse desempenho só perde para os ganhos de 23,67% registrados em cinco pregões seguidos de altas, no período de 26 de janeiro a 1º de fevereiro de 99.

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