Dólar encosta em R$ 2,20 pela 1ª vez desde o início do Real
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segunda-feira, 16 de abril de 2001
Das agências De São Paulo e Buenos Aires 
A ameaça de desvalorização do peso e boatos de moratória na Argentina, aliados à expectativa em relação à definição do juro básico brasileiro amanhã, puseram mais uma vez em pânico os mercados no Brasil. O dólar bateu novo recorde, subindo a R$ 2,196 recorde do Plano Real e a Bolsa de São Paulo recuou 3,5%.
Ontem foi o primeiro dia útil depois de Domingo Cavallo, ministro da Economia da Argentina, anunciar que o projeto de atrelar o peso também ao euro vai ser enviado ao Parlamento. Com os mercados fechados, Cavallo anunciou que mandaria o plano na madrugada de hoje.
Desde 1991, um peso vale um dólar. Segundo o novo modelo de conversibilidade, a moeda argentina teria valor equivalente ao de uma cesta de moedas em que dólar e euro teriam a mesma participação.
Com tal sistema, abre-se a possibilidade de desvalorização do peso, hoje proibida por lei. Um peso mais fraco faria o governo argentino gastar mais para pagar suas dívidas, o que aumentaria o risco de uma possível moratória ou calote.
O temor de que a piora financeira argentina contagie o Brasil e afete o real provocou uma corrida para o dólar. Com a volta da preocupação com a Argentina, algumas tesourarias de bancos passaram a apostar em uma alta mais forte na Selic (taxa básica de juros da economia) e a precificar (adiantar as consequências) isso nos negócios, afirma Rogério Mori, do Banco Santos.
As projeções dos juros negociados na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) dispararam ontem depois de recuar nas últimas semanas. Nos contratos DI (que consideram os juros dos negócios entre os bancos) que concentram o maior volume de negócios, com prazo de vencimento em outubro deste ano, a taxa pulou de 19,14% para 21,08%.
Os principais títulos da dívida brasileira negociados no exterior, os C-Bonds, desabaram: no fim do dia, foram vendidos a US$ 0,77, com baixa de 1,91%.
Os FRBs, os principais papéis argentinos, despencaram 2,06%, vendidos a US$ 0,8403. Na opinião de Marcelo Schmitt, do Lloyds TSB, se o dólar continuar nesse patamar, próximo dos R$ 2,20, sem muitos fundamentos, o BC deve voltar a intervir no mercado de câmbio em breve.
Ontem o BC vendeu R$ 750 milhões em títulos cambiais (NBC-Es, papéis corrigidos pela variação cambial mais juros prefixados). A preocupação com a economia argentina fez o governo pagar taxa de 11,20%. Os títulos têm vencimento em novembro de 2005. No último leilão com papéis semelhantes, em fevereiro deste ano, o BC pagou taxa de 10,87%.
A queda das Bolsas nos EUA também colaborou para o dia negativo. Os papéis das teles sentiram bastante a baixa de 2,64% da Nasdaq. A Bolsa de Valores de São Paulo fechou em baixa de 3,50% com o índice Bovespa situando-se em 14.444 pontos.


