São Paulo - O dólar ultrapassou o patamar dos R$ 3,30 na sessão de ontem influenciado pelo forte viés de alta para a moeda norte-americana no exterior. Internamente, a demanda pela divisa foi estimulada principalmente pela cautela em meio às tensões políticas entre governo e base aliada e também diante das incertezas sobre a continuidade do programa de swap cambial. O dólar à vista terminou a sessão em alta de 2,49%, negociado a R$ 3,2950, o maior preço desde 1º de abril de 2003 (R$ 3,3130).
No fim da manhã, o movimento de alta do dólar foi intensificado durante um discurso da Dilma Rousseff, em evento no Planalto. "O mercado reage à Dilma agora da mesma forma que parte da população se manifesta, com panelaço, quando ela começa a falar", comparou o operador Ovídio Pinho Soares, da corretora Icap do Brasil. "O pessoal está com a mania de começar a comprar toda vez que a Dilma abre a boca. E não importa muito o que ela diz", acrescentou outro profissional, que prefere não se identificar.
Apesar dessa reação do mercado, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante reunião com representantes da Associação Nacional de Jornais (ANJ), evitou vincular a crise política e econômica do País à disparada do dólar ontem, na esteira da demissão do ex-ministro da Educação Cid Gomes, quarta-feira.
O diretor de Fiscalização e Regulação do Banco Central, Anthero Meirelles, também preferiu não falar quando foi questionado sobre o programa de swap cambial. Ele disse apenas que o programa tem cumprido seu objetivo. O programa de ração diária de US$ 100 milhões está previsto para ocorrer até, pelo menos, o fim deste mês. Lançado em agosto de 2013, já foi estendido e ajustado até os dias de hoje.

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