Dólar em queda favorece combate
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terça-feira, 26 de abril de 2011
Daniela Amorim <br> Agência Estado 
Rio - Apesar dos esforços do Banco Central para conter a valorização do real frente ao dólar, que prejudica o setor produtivo brasileiro, a queda da moeda americana tem sido uma aliada do governo em uma tarefa igualmente desafiadora: desacelerar a inflação. Elson Teles, economista-chefe da Máxima Asset, conta que, a cada 10% de queda no dólar, os especialistas repassam uma queda de 0,5 ponto porcentual à inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Segundo ele, desde a penúltima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em 2 de março, até a última, em 20 de abril, o dólar caiu 5%, representando um recuo de 0,25 ponto porcentual na inflação oficial.
''Isso deve ter segurado um pouco as projeções para a inflação este ano. Mas há outros fatores que atuam no sentido oposto, fazendo pressão inflacionária, como as expectativas de inflação, que não param de subir. O que a taxa de câmbio vai fazer é mitigar esses efeitos de alta'', disse Teles.
O dólar mais barato faz cair os preços das commodities. A variação já foi registrada no atacado, pelo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e analistas acreditam que deva ser repassada ao consumidor em breve.
''As commodities agrícolas, que são cotadas em dólar, estão mais baratas, como soja, açúcar, café. Com o tempo, isso chega aos Índices de Preços ao Consumidor. O movimento afeta também os alimentos industrializados que dependem dessas commodities'', previu o economista Silvio Campos, da Tendências Consultoria.
Metais, como cobre e alumínio, produtos petroquímicos e celulose, além de alguns produtos finais, como eletrônicos que têm importação de componentes, também ficaram mais baratos com a valorização do real. ''O câmbio valorizado é sempre um aliado no combate à inflação. Pode prejudicar o setor produtivo, mas é preciso perguntar o que é mais urgente no momento. Urgente é um enfrentamento mais decisivo da inflação'', afirmou Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Quadros lembrou que a alta dos juros, instrumento usado pelo governo para atacar a inflação, atrai capital estrangeiro, promovendo a queda da moeda americana. Mas, segundo ele, é um mal necessário, que evitaria medidas mais drásticas para conter a inflação mais tarde. ''Combater a inflação tem um custo. Subir mais os juros valoriza mais o câmbio, a dívida vai ficar mais cara e as exportações menos atrativas. Mas é melhor do que ter que usar o arsenal máximo mais adiante, que no final das contas tenha um custo mais alto'', opinou o economista da FGV.
Para Silvio Campos, o governo pode estar se beneficiando da valorização do câmbio, mas não vê o movimento ainda como proposital, já que o BC continua atuando na compra de dólares no mercado à vista. ''Pode ser que o governo perceba essa estratégia como vantajosa, e o BC passe a atuar menos no câmbio'', indicou Campos.


