Dólar em queda atrapalha até importador
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domingo, 20 de novembro de 2005
Agnaldo Brito<br> Agência Estado 
São Paulo - A queda do dólar frente ao real já tem dado drible até em importador. A Mistral Importadora - uma das principais distribuidoras de vinhos importados do País, com catálogo de 2,5 mil títulos - enfrenta uma situação inédita neste momento. Uma promoção natalina, que acaba de ser oferecida aos apreciadores de vinho, pode criar um problema para a empresa.
Quando foi idealizada, a Mistral pensou em duas cotações: dólar a R$ 1,99 para 500 títulos da carta e a R$ 2,15 para os demais produtos do catálogo. Valores impressos. Há cerca de 20 dias, a cotação estava próxima de R$ 2,25. A apreciação do real nos últimos dias derrubou o dólar a meros R$ 2,16.
Embora tenha mantido o hábito de manter catálogos com preços em dólar, convertidos à taxa do dia - o que não foi seguido pela concorrência -, a Mistral acha que o resultado da operação já começa a ficar comprometido. ''Minha remuneração é em dólar. Ganho mercado, é verdade. Entretanto, meus custos são em reais, que crescem substancialmente'', afirma.
Como manteve os preços dolarizados, Lilla deve adotar uma medida antipática nas reposições: fazer reajustes dos preços em dólar. ''São aumentos marginais depois da reposição de estoque, mas será necessário fazê-los'', alega.
A Officinet, especializada em venda por canais virtuais de materiais de escritório, conseguiu blindar a receita em períodos de volatilidade cambial. Metade do faturamento deriva de produtos importados ou atrelados ao dólar. Para a publicação de catálogos mensais, além de um acordo com os fornecedores, a empresa criou uma banda para variações de 2,5% sobre a cotação do dólar. Para baixo ou para cima, a banda acomoda variações bruscas do câmbio. ''É a forma de proteção'', afirma Tatiana Vidal, gerente de Marketing da Officinet. Para catálogos anuais, a empresa simplesmente não informa o preço dos produtos importados.


