O comércio adotou uma cotação intermediária para o dólar a fim de garantir a manutenção das vendas das mercadorias importadas. Agências de turismo, concessionárias, lojas de importados e casas de câmbio em Curitiba estão oferecendo seus produtos abaixo do valor do dólar comercial, que tem ficado na faixa de R$ 2,00 nos últimos dias (na sexta-feira fechou em R$ 2,06). A maioria destes locais fixou o dólar num patamar que varia entre R$ 1,29 até R$ 1,80.
A alternativa foi adotada para manter a clientela, que fugiu das lojas com receio de encontrar produtos com preço dobrado em menos de um mês. Um carro importado no valor de US$ 10 mil, custaria R$ 11,3 mil antes do dia 14 de janeiro (cotação tomada como base foi de R$ 1,13), enquanto o mesmo carro sairia por R$ 20 mil se fosse comprado pela cotação de R$ 2,00 por dólar. A saída para as concessionárias foi baixar o dólar para R$ 1,30 em média.
A rede Volkswagen fixou a moeda norte-americana em R$ 1,29 até hoje, com possibilidade de haver prorrogação do prazo por mais uma semana. O gerente da concessionária Servopa, Roberto Wilke Filho, disse que reduzir o preço do dólar foi a forma encontrada para atrair os clientes. ‘‘O público não reclama, pois a cotação do dólar comercial está bem mais elevada’’, afirma. Ele diz que a concessionária chegou a aplicar uma taxa de R$ 1,3. Depois reduziu um centavo.
A Copava também estimulou as vendas com um dólar avaliado em R$ 1,29 para os carros importados Passat, Variant e Golf. Já a revendedora dos carros Alfa Romeo adotou o dólar a R$ 1,32 por tempo ilimitado.
Nas lojas de importados, as vendas estão sendo feitas com um dólar que fica na faixa de R$ 1,60. Desde a desvalorização do real, a loja Petit Parfum reajustou os preços dos perfumes tomando como base o dólar fixado entre R$ 1,55 e R$ 1,60. ‘‘Foi um acordo que estabelecemos. A importadora e o varejo absorveram um pouco a alta do dólar para evitar o repasse total ao consumidor’’, diz o dono da empresa Petit Parfum, Antonio Molon. A gerente Esthér de Fátima Cortiano diz que os preços foram reajustados para manter as vendas.
Molon conta que seria prejudicial para o mercado repassar toda a elevação da moeda norte-americana, pois o preço dobraria e ficaria inviável. Molon aposta que o dólar vai se estabilizar entre R$ 1,55 e R$ 1,65. ‘‘Este é o patamar que consideramos dentro da realidade’’, diz o empresário.
As casas de câmbio também não conseguem acompanhar o dólar comercial na venda da moeda no paralelo ou no turismo. O dólar turismo estava sendo comprado pela Jade Turismo e Câmbio a R$ 1,80 e vendido ao público por R$ 1,95, na sexta-feira. O dólar turismo, que deve ser vendido mediante apresentação da passagem aérea e passaporte, era comprado por R$ 1,75 e vendido por R$ 2,00, chegando perto da cotação do comercial que foi de R$ 2,05. ‘‘Aos poucos a tendência é o turismo se aproximar do comercial’’, afirma um dos funcionários da Jade, que preferiu não informar o nome.
Na casa de câmbio Sigla, o dólar turismo estava mais barato do que na Jade. A cotação era de R$ 1,75 para a compra e de R$ 1,90 para a venda ao público. ‘‘Estamos com uma redução de 60% nas vendas de dólar’’, afirma um dos funcionários.

mockup