Dólar em baixa propicia ceia gorda
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domingo, 23 de dezembro de 2007
Caroline Vicentini<BR>Reportagem Local 
As ceias de Natal e Ano Novo com produtos importados ficarão mais em conta este ano em razão da queda do dólar em relação ao real. Em alguns estabelecimentos de Londrina, os preços de produtos como frutas secas, vinho e bacalhau estão de 10% a 20% menores em comparação ao ano passado. Em 2005, o dólar fechou o ano cotado a R$ 2,34. No ano seguinte, a moeda americana caiu para R$ 2,13. Na sexta-feira desta semana, o valor chegou a R$ 1,794. Já produtos nacionais, como o panetone e o peru tiveram os seus preços majorados. O primeiro, de 5% a 17%, por conta do aumento da farinha de trigo; já o segundo, com elevação de até 10%, devido a alta do preço do milho.
No Irmãos Furuta, no Mercado Shangri-lá, o damasco, que no final de 2006 era vendido a R$ 40,00 o quilo agora está R$ 35,00. O pistache também apresentou queda - de R$ 58,00 para R$ 48,00. Já amêndoa (R$ 58,00), figo turco (R$ 29,00), uva passa (R$ 14,50) e ameixa sem caroço (R$ 20,00) mantiveram seus preços. Segundo o proprietário da Mercearia Shiroma, Jorge Shiroma, o bacalhau do Porto pode ser encontrado por R$ 40 a R$ 55,00 o quilo; em 2006, o peixe era vendido a R$ 65,00.
A desvalorização do dólar também impactou o preço das bebidas, principalmente os vinhos sul-americanos. ''Os vinhos estão de 10% a 15% mais baratos. Os chilenos, que apresentam o melhor custo-benefício podem ser comprados por, em média, R$ 20,00'', informa Shiroma. Já o panetone de 500 gramas de uma marca tradicional teve um aumento de cerca de 10% e está sendo comercializado a R$ 10,80, de acordo com Antônio Tomio Furuta. Outros dois produtos muito utilizados para incrementar a salada nas festas de final de ano são a mussarela de búfala (R$ 8,90 o pacote de 400 gramas) e o tomate seco (R$ 13,50 o pote de 250 gramas).
A pecuarista Vera Lúcia Cardoso Benes comprava figo, ameixa, nozes e castanhas para a ceia de Natal. Ela disse que não percebeu diferença de preços nas frutas secas em relação ao ano passado. ''Procuro primar pela qualidade; não presto muito atenção nas oscilações de preço'', justifica. A ceia da família será composta de pratos tradicionais, tais como peru, tender, torta de camarão e de nozes e salpicão.
Outra consumidora que não percebeu alteração nos preços em função da desvalorização da moeda americana foi a dona de casa Beatriz Fuentes. Ela comprava tâmara, damasco, figo turco, uva passa em rama e nozes pecã e chilenas para o preparo da farofa. ''Também costumo preparar um risoto de açafrão com damasco e rechear as tâmaras com doce de leite. Devo gastar uns R$ 600,00 com a ceia para 15 pessoas. No almoço de Natal reaproveitamos o que sobrou da ceia'', conta Beatriz.
Já a gerente comercial Vânia Bigas percebeu uma pequena queda nas frutas secas em relação ao final de 2006. Ela comprava nozes chilenas (R$ 20,00, o quilo), macadâmia (R$ 9,00) e avelãs (R$ 20,00). ''Ajeito-as em uma cesta para decorar a mesa. As carnes e o panetone comprei em supermercado. Começo a adquirir os itens da ceia no final de novembro porque sei que agora está um tumulto'', justifica.
O bom momento da economia brasileira, aliado à recuperação da renda e do emprego, além da abundância de crédito fazem os comerciantes projetarem vendas até 10% superiores em relação ao Natal passado. Segundo Jorge Shiroma, as vendas já são 5% maiores em relação ano ano passado e devem aumentar a partir do final de semana já que, por tratar-se de produtos perecíveis, a maioria dos clientes deixa para comprá-los às vésperas das festas. Antômio Tomio Furuta espera vendas iguais a 2006. ''Nesta época comercializo cerca de 40% a mais do que nos dias normais. Este ano percebo que as pessoas estão comprando com um pouco mais de antecedência e tranquilidade'', observa.
O proprietário da Casa de Carnes Irmãos Furuta, Milton Furuta, espera que este ano repita o que ocorreu em 2006 - produzir em sua capacidade máxima. Os carros-chefe são a leitoa (R$ 39,00 parte traseira e R$ 37,00, dianteira) e o pernil (R$ 32,00 o quilo). Mas há o chester (R$ 24,00 o quilo) e o peru recheado (R$ 28,00) com farofa feita de mandioca cozida e moída com bacon de pernil, milho verde e coração de frango. Este ano a casa de carnes oferecerá o tender (R$ 28,00 o quilo) de fabricação própria.


