Rio de Janeiro - A queda na cotação do dólar está levando de volta às agências de turismo os viajantes que adiavam um passeio no exterior desde o início da escalada da moeda norte-americana, em maio do ano passado. No caso de grandes operadoras como a paulista Tia Augusta, por exemplo, já ocorreu um crescimento de 30% na procura por viagens internacionais em relação ao ano passado. O presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav), Tasso Gadzanis, espera um crescimento de 50% no fluxo internacional das agências neste ano ante igual período do ano passado, caso o dólar permaneça no patamar atual.
A moeda norte-americana fechou a semana passada cotada em R$ 3,09, após oscilar em patamar pouco abaixo de R$ 4 em grande parte do segundo semestre do ano passado. Para quem quiser aproveitar uma das promoções oferecidas por uma grande agência, por exemplo, de pacote de US$ 584 para Orlando, nos Estados Unidos, o preço a ser pago em reais hoje é 28% inferior ao que seria pago em outubro do ano passado, quando chegou a cotação recorde de R$ 3,95. O viajante que optar por essa viagem pagará hoje R$ 1.800, enquanto no pico da moeda pagaria R$ 2.300.
O diretor comercial da Tia Augusta, Alípio Camanzano, disse que com o dólar cotado em R$ 3, ''há público para viajar no Brasil e no exterior''. Ele explicou ainda que havia uma demanda reprimida por viagens internacionais, que agora parece vir à tona. O presidente da Abav confirma que o aumento das viagens internacionais não diminui o interesse por roteiros no Brasil. Segundo ele, por exemplo, Rio de Janeiro continua atraindo turistas apesar da onda de violência na capital fluminense.
Gadzanis explicou que as notícias violentas só não afastam os turistas estrangeiros porque eles simplesmente não ouvem falar do Brasil. ''O País não sai em primeira página lá fora, essa é nossa sorte'', disse. Comprovam a tese os muitos turistas estrangeiros que visitam o Cristo Redentor, um dos principais pontos turísticos do Rio, na última quarta-feira, feriado de São Jorge na cidade.
A gaúcha Jussara Michelitto, advogada de 47 anos e o seu marido australiano, John Lorenz, 63 anos, vivem as duas faces do dólar. Para vir ao Brasil, são beneficiados pela cotação elevada da moeda. E para sair do País, como farão nos próximos meses, aproveitam a queda da moeda norte-americana. ''Não temos medo do Rio, achamos que vale a pena estar aqui apesar da violência'', disse Jussara. Segundo ela, que voltou da Austrália há sete meses para passar uma temporada no Brasil, várias amigas de Porto Alegre que desistiram de viagens internacionais por causa do dólar no ano passado estão voltando a pensar no assunto. Ela avalia, entretanto, que o turismo interno é bastante atraente e pode compensar a falta de dinheiro para gastar em dólar lá fora.
Alípio Camanzano, da Tia Augusta, concorda e disse que o Brasil inclusive começa a atrair turistas de alguns países da Europa, como a França, que depois da guerra desistiram de viajar para os Estados Unidos. ''No médio prazo eles vão pensar em destinos diferenciados e seremos uma boa opção'', disse.
A supervisora de vendas da agência de viagens CVC, Mônica Severian, disse que a procura por viagens internacionais está crescendo nos últimos dias, mas a demanda ainda está ''muito distante'' da registrada em períodos de dólar em cotação mais baixa, entre 1994 e 1999, quando a paridade era de um pra um.
Segundo Mônica, a expectativa é que a busca por destinos externos, especialmente América do Sul, cresça bastante nos próximos dias, especialmente para as férias de julho. ''O dólar ainda está alto, mas como temos memória curta, a tendência é que a queda já estimule as viagens internacionais'', disse.

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