Dólar em alta muda hábito de turista brasileiro
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quarta-feira, 15 de julho de 2015
Fábio Galiotto<br> Reportagem Local 
A alta cotação do dólar neste ano fez com que o brasileiro mudasse a escolha por destinos turísticos para as férias de julho, segundo a Kayak, empresa de tecnologia voltada a pesquisas de viagens on-line. Enquanto Punta Cana, na República Dominicana, ou Gramado, na Serra Gaúcha, tiveram aumento de buscas de 408% e 133% em relação ao mesmo período de 2014, respectivamente, houve queda para praticamente todas as cidades dos Estados Unidos, que atraíam viajantes de olho nos preços mais baratos em lojas no exterior.
Na primeira semana de julho de 2014, a cotação do dólar ficou em torno de
R$ 2,20, ante mais de R$ 3,10 no mesmo período deste ano, alta de 40%, conforme o Banco Central. Apesar de boa parte dos valores de pacotes de viagens ser cotado na moeda norte-americana no Brasil, os turistas avaliam que os valor dos gastos em compras, passeios, hotéis ou alimentação ainda precisam ser pagos em dólar nos EUA. A valorização monetária de outros países, porém, foi menor ou não ocorreu em relação ao real, o que explica o interesse por destinos diferentes ou nacionais, dizem representantes da Kayak e de agências de turismo de Londrina.
Ainda, de acordo com a Sondagem do Consumidor, pesquisa mensal do Ministério do Turismo, junho teve o melhor índice de intenção de viagem para destinos nacionais dos últimos quatro anos, em comparação com os resultados anteriores do mesmo mês. Para 73,3% dos entrevistados que pretendem fazer ao menos uma viagem até dezembro, a opção será uma cidade turística dentro do Brasil. É o melhor indicador desde os 74,9% do mesmo período de 2011 e 2,4 pontos percentuais acima dos 70,9% do ano passado.
Toronto, no Canadá, que teve a procura turbinada também pela realização dos Jogos Pan-Americanos na cidade, foi alvo de 322% mais buscas do que em meados de 2014. O country manager da Kayak Brasil, Kaio Philipe, afirma que o motivo é que o dólar canadense está mais barato do que o americano e que julho é um mês de alta procura de intercambistas por cursos de inglês no exterior. "Existe uma mudança de hábito e as pessoas querem consumir mais experiências do que coisas, por isso o turismo ainda cresce e o varejo, não, mesmo com a crise. A pessoa não deixa de viajar, só procura novas opções."
Para o gerente comercial da Navega Tur Agência de Viagens e Turismo, Giovanni Prata, porém, houve redução de 30% a 40% nas vendas de pacotes de viagens para julho, na empresa de Londrina. Além da retração econômica do País, ele destaca a greve nas escolas estaduais deste ano como um fator que atrapalhou os negócios para as férias de meio de ano. "A crise está aí, com inflação, alta no preço dos alimentos, dos combustíveis, da energia elétrica, e viagem é considerado como supérfluo", diz.
Prata considera que pacotes all inclusive, com todas as refeições, hospedagem e passeios já pagos são mais atrativos em períodos de dólar em alta. "Punta Cana e Cancún tiveram maior procura porque os resorts são all inclusive e não se gasta com alimentação, como seria preciso nos Estados Unidos, por exemplo. E hoje, se alguém não sabe se deve gastar em dólar ou em euro, acaba escolhendo o euro."
O manager da Kayak destaca, por exemplo, que o interesse por San Francisco caiu 26%, por ter custo de hospedagem e de vida entre os mais caros dos EUA. "Miami, que sempre foi líder em pesquisas na ferramenta, teve queda grande", diz Philipe. Um dos principais destinos comerciais, a cidade sentiu os efeitos da redução dos gastos do brasileiro do exterior, de 19% de janeiro a abril deste ano em relação ao ano passado.
A única exceção nos EUA é Orlando, cidade onde fica a Walt Disney World, que teve alta de 201% nas buscas. "É um tradicional destino de brasileiros e eles fazem pacotes especiais para não perder um dos principais clientes", conta.
O gerente comercial da Navega Tur lembra ainda que é possível encontrar passagens mais em conta nas companhias brasileiras. "Existem muitas promoções hoje, mesmo para os Estados Unidos e para a Europa, porque as empresas não querem voos batendo lata. É melhor ocupar os assentos por um preço menor do que viajar com o avião vazio", diz.


