Dólar em alta estimula vendas antecipadas de soja
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sexta-feira, 09 de outubro de 2015
Ricardo Maia<br> Reportagem Local 
O produtor paranaense continua animado com as vendas de soja por causa da valorização do dólar. Até o momento, 30% da safra 2015/16 da oleaginosa já foi comercializada, contra 28% contabilizado no final de setembro e 5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados fazem parte do último levantamento realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Com 25% de uma área de plantio estimada em 5,23 milhões de hectares já semeados, Francisco Simioni, chefe do Deral, afirma que o Estado deve ter uma boa safra tanto em produção, quanto em arrecadação. O especialista afirma que, por enquanto, o ciclo da soja segue com boas expectativas. A previsão do Deral é de que saiam dos campos paranaenses nesta temporada 17,98 milhões de toneladas da oleaginosa, 6% a mais em relação à safra 2014/15, quando foram produzidas 16,96 milhões de toneladas.
Simioni explica que a expectativa de incremento na produção se deve pelo aumento de 2% na área e também pela perspectiva de um clima favorável nos próximos meses. Mesmo assim, ele alerta que o produtor precisa ficar atento em relação à movimentação do mercado. Para quem deixou para comprar os insumos na última hora, não está sendo favorecido com a supervalorização do dólar, já que boa parte dos insumos é importada, o que encarece os custos de produção. A moeda americana fechou cotada ontem a R$ 3,75.
Carlos Kamiguchi, produtor na região de Mauá da Serra, deu sorte. O agricultor comprou seus insumos antes da disparada do dólar, que começou ainda no primeiro semestre. Com essa atitude, o produtor espera obter bons rendimentos na safra 2015/16. Devido a essa expectativa, ele resolveu apostar somente na cultura, deixando de plantar milho em parte da sua propriedade, como fez no mesmo período do ano passado.
Neste ciclo, Kamiguchi destinou 315 hectares para a oleaginosa e espera uma produtividade de até 60 sacas por hectare. No ano passado ele plantou 220 hectares de soja e 95 hectares de milho. O produtor só teme se houver daqui para frente um alto índice de precipitação porque, segundo ele, com o tempo nublado, a baixa luminosidade pode interferir no desenvolvimento das plantas, comprometendo, assim, os índices de produtividade.
Flávio Turra, gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), afirma que o preço vendido em contrato na época de colheita para esta safra fechou em R$ 70 a saca, contra R$ 62/sc contabilizado nas vendas de contrato para colheita no ciclo 2014/15. "Muitos produtores estão conseguindo fazer contratos com preço acima dos R$ 70/sc", destaca o gerente técnico.
Contudo, Turra recomenda que o agricultor não comprometa mais que 50% da safra com a venda antecipada. Dados da Ocepar apontam que mais de 70% da safra paranaense passam pelas cooperativas.


