Curitiba – A crise norte-americana ainda não atingiu o setor de turismo. Os resultados de vendas para próximo verão não foram impactados com a repentina alta do dolár nos últimos dias no Brasil. Os pacotes para esta época já foram comecializados com a moeda mais baixa e capacidade de vôos e hospedagem está quase completa, segundo o Sindicato de Empresas de Turismo do Paraná (Sintur/PR). A avaliação de possíveis perdas será feita a partir de janeiro de 2009 quando intensifica-se a procura pelas viagens das férias de julho e destinos tradicionais de outono. ‘‘Até lá estamos bem’’, diz o presidente do Sintur/PR Haroldo Schultz.
  A Associação Brasileira de Agências de Viagem (Abav) não aponta alterações negativas nas vendas de pacotes turísticos e mantém em 20% a expectativa de crescimento do turismo interno para este ano e em 15%, o internacional. A entidade não registrou cancelamentos e acredita que o dolár em até R$ 2,00 não inibe a compra. ‘‘Turismo já entrou no orçamento. Há um ano o dólar estava a este preço e ninguém deixou de viajar’’, comenta o diretor para assuntos internacionais, Leonel Rossi.
  Para Schultz o mercado vive um momento de especulação e que o consumidor deve aguardar a estabilização do câmbio para voltar a comprar dólares para os gastos de viagens já reservadas.
  A operadora CVC espera crescer 30% nas vendas para o verão. ‘‘Nos últimos dias aumentou a procura por destinos internacionais’’, afirma o presidente Valter Patriani. A empresa financia os pacotes em até 10 vezes sem juros porque é responsável pelo processo e não apresenta problemas de crédito.
  A consultora de viagens Adriana Marchand Bonilauri está preocupada com a crise, mas só para o ano que vem. A agência de sua propriedade teve o melhor faturamento em setembro em cinco anos de existência. ‘‘Quando estourou a crise, quem pôde correu para garantir o câmbio’’, diz. A empresária não desmerece o bom momento que o setor viveu durante o ano todo por causa do dólar baixo. A agência dela vendeu entre setembro de 2007 e setembro de 2008, 50% a mais de pacotes internacionais em relação aos outros anos. Em caso de disparo de câmbio, Bonilauri acredita que a clientela passará a viajar mais pelo Brasil.
  Para o presidente do Fórum das Agências de Viagens especializadas em Contas Corporativas (Favecc), Francisco Leme da Silva, o impacto no setor de turismo corporativo também será sentido somente no ano que vem porque os executivos continuam com suas agendas normalmente até lá. ‘‘Verão é uma época sazonal para o setor, então precisamos esperar o fechamento da programação das empresas para fazer qualquer previsão’’, explica. O recuo nas vendas não é desconsiderada.
  O balanço Favecc para o primeiro semestre indica um aumento de 18,2% na emissão de passagens aéreas para o mercado interno. Para o exterior, as empresas ainda não conseguiram recuperar os resultados, apresentando queda de 3,8% na emissão de passagens.

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