A alta do dólar e o nervosismo do mercado em setembro, após o ataque terrorista aos Estados Unidos, foi o principal motivo para o crescimento da dívida federal interna no período. O estoque passou de R$ 606,18 bilhões em agosto para R$ 629,09 bilhões ao final de setembro, ou seja, um aumento de R$ 22,91 bilhões (3,78%).
De acordo com o coordenador-geral da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Paulo Valle, esse aumento deveu-se à variação cambial do período de 4,69% e à emissão líquida de R$ 13,2 bilhões de papéis cambiais.
''Foi um mês com maior emissão de cambiais, por causa das incertezas com relação às eleições na Argentina e ao ataque terrorista', explicou o chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, Sérgio Goldenstein.
Em setembro, os vencimentos de títulos da dívida pública federal interna somaram R$ 22,7 bilhões. Esse volume foi todo rolado e, além disso, Tesouro e BC, juntos, fizeram uma emissão líquida de R$ 8,283 bilhões.
Essa emissão líquida (colocação de títulos no mercado superior ao resgate) foi efeito apenas das colocações de papéis cambiais para dar ''hedge' (proteção) ao mercado, na tentativa de evitar corrida à moeda norte-americana. Somente de títulos cambiais, foi feita uma emissão líquida de R$ 13,2 bilhões.
A participação dos papéis cambiais no estoque da dívida pública federal interna atingiu o maior percentual da história, em setembro, de 31,37%. Em agosto, essa participação era de 28,83%. O chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do Banco Central, Sérgio Goldenstein, afirmou que, nem mesmo em 1999, com a desvalorização do real, a participação de cambiais no saldo total da dívida foi tão alta.
Goldenstein explicou que, apesar do volume grande de cambiais, ''a dívida está sob controle''. Segundo ele, a colocação desses papéis no mercado teve como base uma Ptax (média das cotações do dólar no dia) de R$ 2,74.

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