Dólar e petróleo forçam novo preço para gasolina
Agência Estado
De Brasília
A alta do dólar e a ele vação da cotação do petróleo no mercado internacional ocorridos nos últimos dias já criaram a necessidade de um novo reajuste nos preços da gasolina e dos demais derivados de petróleo, disse ontem o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera. O último aumento, ocorrido em 25 de junho, foi calculado com o petróleo a US$ 15 o barril e o dólar a R$ 1,74. Atualmente, o barril já está custando US$ 19 e o dólar está acima de R$ 1,80.
No entanto, segundo o secretário, isso não significa que haverá um novo aumento em breve. Ele explicou que o governo está esperando passar o momento de maior nervosismo no mercado, para ter maior clareza sobre qual será o reajuste necessário e em quanto tempo a diferença de custos será repassada.
Quando o último reajuste foi divulgado, o governo já havia anunciado que nem todo o efeito da desvalorização do real sobre a produção da gasolina estava sendo cobrada do consumidor. Já havia, pois, necessidade de um novo aumento. A turbulência dos últimos dias só piorou a perspectiva.
A julgar pelas cotações no mercado futuro de petróleo, o consumidor terá muitos reajustes pela frente. A tendência, no momento, é o preço do barril continuar subindo, até atingir cerca de US$ 25 no final do ano. O cartel árabe está mesmo conseguindo restringir a oferta para elevar os preços, comentou o secretário. Mas, quando o preço atinge essa magnitude, o que normalmente acontece é eles começarem a vender o petróleo por fora, o que acaba contendo a alta.
Considera disse ser provável que o novo aumento nos preços dos combustíveis seja divulgado juntamente com a fórmula paramétrica - que terá como objetivo repassar periodicamente aos preços as oscilações nas cotações do dólar e do barril de petróleo.
Com a adoção dessa fórmula, não haverá mais defasagem: os preços dos combustíveis subirão ou descerão de acordo com as cotações internacionais. Essa ocilação é necessária, segundo explicou o secretário, porque a legislação brasileira prevê que, em junho de 2000, não haverá mais nenhum tipo de subsídio ao combustível consumido no País. A partir dessa data, ficará livre a importação de petróleo e derivados.





