Vânia Casado
De Curitiba
A indústria de abate de frango, que esse ano cresceu entre 13% e 15% só no Paraná, está repensando a sua situação no mercado. Pressionada pelo aumento nos preços dos insumos, farelo de soja e milho, a indústria sabe que não vai ser fácil repassar seus custos ao mercado varejista. No curto prazo, o aumento no preço do frango ao consumidor será inevitável. A Associação da Indústria de Abate de Aves do Paraná (Avipar) avisa que na próxima semana, o frango deverá ser vendido no atacado a R$ 1,30 o quilo. Essa semana, está sendo comercializado entre R$ 1,20 e R$ 1,25 o quilo.
O presidente da Associação Paranaense de Supermercados, Ruy Senff, já antecipou que os supermercados estão dispostos a negociar duro com qualquer tentativa dos fornecedores de repassar os custos decorrentes da alta do dólar no preço dos alimentos. Os industriais alegam que os custos explodiram com a alta do dólar que elevou ainda mais o preço do farelo de soja, insumo utilizado na composição da ração. Também a escassez do milho, que representa 70% no peso da ração, está provocando a alta no preço da ração.
Em reunião realizada ontem, em Curitiba, foram discutidas algumas alternativas para adequar a produção às necessidades de mercado, para evitar uma super-oferta de frango no varejo. Segundo Icaro Fiechter, diretor executivo da Avipar, as indústrias poderão optar desde uma redução nos alojamentos até à oferta de cortes especiais, que atraem o consumidor pela facilidade de manuseio. Não está descartada também a possbilidade de as indústrias incluirem em seus investimentos, recursos para estocagem de produtos.
Fiechter alega que as indústrias, em regime de integração, repassam os insumos necessários aos produtores manterem a atividade de criação de frangos. Quando o milho estava na faixa de R$ 10,00 a saca, o custo de produção saia para elas em torno de R$ 0,75 o quilo do frango vivo. Com o aumento do milho para R$ 11,00 a saca, o custo avançou para R$ 0,85 o quilo. A indústria se diz impossibilitada de absorver os aumentos de custos, sem repasse, como vem ocorrendo até agora, disse.
A preocupação das indústrias é que os estoques de milho estão no fim e o produto já está sendo comercializado por R$ 13,00 a saca em algumas regiões, comentou Athaide Miranda, médico veterinário do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura (Deral). De um lado a indústria sabe que não pode achatar o preço pago ao produtor, para não desestimulá-lo na atividade. De outro, vai enfrentar uma dura negociação com o varejo, que pode resultar em excesso de oferta de frango no mercado.
Atualmente o produtor recebe entre R$ 0,12 a R$ 0,18 por ave abatida mais uma bonificação por qualidade que varia de empresa para empresa. O custo de produção é arcado pelas indústrias, que repassam a ração e os medicamentos ao produtor. Segundo Miranda, quem vai sofrer com essa pressão nos custos serão as pequenas empresas, que terão seus estoques rapidamente esgotados e não terão condições de negociar com o varejo.
Consumidor vai recuar Miranda acredita que vai ocorrer uma super-oferta de produto no mercado, com a elevação nos preços do frango ao consumidor. Segundo o técnico, o consumo deverá recuar e as indústrias não estão com muitas alternativas para colocar a produção. Aqui no Paraná, só a Chapecó e a Cotrefal, em Medianeira, que entraram em operação esse ano, colocam uma média de 125.000 aves por dia. O volume de produção é maior se for contabilizada a ampliação das capacidades de produção em dezenas de outros pequenos frigoríficos.
A produção de frangos no Paraná esse ano alcançou a marca de 377 milhões de cabeças até agosto. Cerca de 60% desse total vai para outros estados, que também investiram no aumento da capacidade instalada de abate de aves. Com isso, parte da oferta da indústria paranaense poderá ser rejeitada, acredita Miranda. A alternativa que resta é a exportação, ‘‘mas esse mercado está sendo construído aos poucos, não é de uma hora para outra’’, resumiu Fiechter.
Veja na página 6: governo pode reduzir taxa de importação de milho.

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