Dólar e juros reduzem as vendas do comércio
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segunda-feira, 18 de junho de 2001
Agência Estado De São Paulo 
As vendas do comércio varejista caíram 2,52% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O técnico do Departamento de Comércio e Serviços do órgão, Nilo Lopes, disse que a queda foi provocada por uma indefinição no quadro econômico do País, especialmente como resultado das altas das taxas de juros e do dólar, que tornaram os consumidores mais cautelosos.
No acumulado entre janeiro e abril houve pequena queda nas vendas do setor (-0,72%), que o IBGE considera estabilidade. Lopes admite que está ocorrendo uma desaceleração no desempenho do comércio, que havia registrado crescimento nas vendas de 2,16% em março, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Segundo ele, o impacto da crise energética nas vendas do comércio poderá ser avaliado a partir dos dados de maio do setor. Lopes adiantou que o comércio sofrerá impactos diretos, como elevação dos custos em consequência do racionamento, e também indiretos, como a queda do consumo em função da desaceleração das atividades em outros setores.
Mesmo antes do racionamento, a alta do dólar e dos juros levou o setor a apresentar queda no ritmo de crescimento já em abril, especialmente nos ramos de móveis e eletrodomésticos (alta de 10,64% em março e 2,78% em abril, sempre na comparação com o mesmo mês do ano passado) e veículos e motos (20,11% em março e 12,08% em abril).
A pesquisa do IBGE revelou também que, apesar da queda no volume de vendas do setor em abril, houve crescimento de 4,88% na receita nominal de vendas no mês na comparação com abril do ano passado. Segundo Lopes, o dado demonstra que houve reajustes de preços, o que ele exemplifica com o segmento de combustíveis e lubrificantes, cujas vendas caíram 6,64% em abril sobre o mesmo mês de 2000, como resultado de um aumento nos preços dos combustíveis automotivos de 25,8% no período.


