O movimento de queda da cotação do dólar no mercado paralelo, verificado na semana passada, torna a compra da moeda norte-americana como investimento ainda mais contra-indicada, segundo analistas de mercado. O recuo na última semana foi de 0,76%. Segundo João Cicarelli, consultor financeiro da Corretora Agente, a tendência do dólar no ‘‘black’’ para esta semana ainda é de queda.
O segundo corte dos juros norte-americanos em menos de um mês, o último na quinta-feira, não deve alterar substancialmente, segundo a avaliação dos principais analistas, o cenário do mercado brasileiro nos próximos dias: os juros tendem a permanecer elevados e as Bolsas, instáveis.
Com isso, o diretor de Gestão de Recursos do Banco AGF-Braseg, Kazuhiro Miyamoto, recomenda os fundos DI. Além de oferecer remuneração na casa de 40% ao ano, eles protegem contra a oscilação dos juros (leia nesta página).
Miyamoto entende que as taxas internas só serão reduzidas depois que o País recuperar a credibilidade com o mercado, o que só deve ocorrer com o anúncio das medidas de ajuste fiscal e do pacote de socorro financeiro internacional.
É possível que o governo divulgue as providências para obter o equilíbrio das contas públicas nesta semana, mas há quem acredite que elas serão anunciadas somente após o segundo turno das eleições. O mercado está em compasso de espera. Também é necessário que haja uma melhora no fluxo de dólares, que permanece negativo e em níveis muito elevados.
Desse modo, a redução dos juros pelo Fed (o banco central dos EUA) na quinta-feira de 5,25% para 5% ao ano não deve trazer de imediato recursos estrangeiros para o Brasil. Miyamoto diz ainda que é preciso analisar com cuidado a decisão do Fed: o fato de a entidade ter cortado os juros antes da reunião do Comitê de Mercado Aberto, marcada para 17 de novembro, pode indicar que a situação da própria economia norte-americana é mais complicada do que se imagina.
Os EUA enfrentam um estreitamento do crédito, com problemas em instituições financeiras causados por perdas em mercados emergentes e por exposição aos hedge funds (fundos especulativos).
Além disso, a crise mundial tem afetado o resultado de muitas empresas norte-americanas. Assim, ainda que o corte dos juros aumente o volume de dinheiro em circulação, é improvável que os estrangeiros voltem agora aos mercados emergentes, como o Brasil, pois há forte cautela no mercado internacional. Neste momento, os investidores estão cautelosos.
Por tudo isso, o investimento em ações só é recomendado para quem aplica por períodos dilatados, diz Miyamoto. Os papéis estão baratos, mas no curto prazo tudo indica que a instabilidade deve continuar.

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