A moeda norte-americana abriu 2018 em R$ 3,27 e fechou abril de 2019 em R$ 3,94
A moeda norte-americana abriu 2018 em R$ 3,27 e fechou abril de 2019 em R$ 3,94 | Foto: Shutterstock

Os gastos dos brasileiros em viagens ao exterior recuaram 10,22% no primeiro quadrimestre do ano, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo as Estatísticas do Setor Externo divulgadas nesta segunda-feira (27) pelo BC (Banco Central). O valor diminuiu de US$ 6,470 bilhões de janeiro a abril de 2018 para US$ 5,809 bilhões no mesmo período deste ano. A desvalorização do real frente o dólar, que segue com viés de alta em maio e estava em R$ 4,02 na última sexta-feira (24), é o principal motivo.

No entanto, o Brasil não se tornou mais atrativo aos estrangeiros mesmo com a moeda nacional em baixa. Os gastos de turistas de outros países no Brasil também diminuíram no quadrimestre, de US$ 2,433 bilhões em 2018 para US$ 2,283 bilhões neste ano, queda de 6,16%.

Quando considerado apenas o mês de abril, as diferenças são menores. Os gastos de brasileiros no exterior foram de US$ 1,538 bilhão para US$ 1,493 bilhão no mês passado, ou redução de 2,92%. Já os viajantes estrangeiros, que haviam deixado no País US$ 499 milhões no quarto mês de 2018, fecharam a conta desta vez em US$ 472 milhões, ou 5,41% a menos.

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. | Foto: Folha Arte

A cotação do dólar tem aumentado desde o ano passado, com o País em crise econômica e a guerra comercial mundial promovida pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com países como a China ou blocos econômicos como a União Europeia. Nesse último caso, o temor sobre o futuro da economia global faz com que investidores migrem os investimentos para a maior solidez dos dólares.

A moeda norte-americana abriu 2018 em R$ 3,27 e fechou abril de 2019 em R$ 3,94. O valor aumentou 20,49% no período. “Ficou muito mais caro viajar ao exterior e algumas pessoas podem preferir viajar pelo País. Mas não é que o turista deixe de viajar, é que ele gasta menos em restaurantes, hotel, passeios ou presentes”, diz o economista Marcos Rambalducci, consultor da Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) e professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná).

PACOTES

A diretora da Albatroz Turismo, Cristiana Pitol Grassano, afirma que os clientes continuam a pedir cotações de pacotes de viagem, mas adiam o fechamento na tentativa de economizar um pouco. “A procura continua grande, porque as pessoas adquiriram esse hábito de viajar e querem manter. O que acontece é que elas ficam sete dias em vez de dez no destino ou muda o padrão do hotel”, diz.

Grassano também conta que muitos trocam destinos para economizar. “A cotação do dólar no Canadá é mais baixa do que nos Estados Unidos, por exemplo. A África do Sul, que também está com a moeda desvalorizada em relação ao dólar, e o Egito são outros destinos mais em conta”, cita, ao lembrar que o faturamento não chega a diminuir porque o número de clientes e o valor gasto em reais continuam os mesmos.

Já o operador de câmbio Leonardo Arantes, da Alta Cash, diz que houve diminuição no movimento. “Está parado. Quem pode, espera para comprar, mas quem tem viagem marcada para logo não pode esperar. Mas tivemos um cliente que desistiu de viajar por conta do valor do dólar”, conta.

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