Dólar e bolsa refletem instabilidade
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sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Das agências 
A instabilidade voltou a impreg nar o mercado financeiro brasi leiro pelo quarto dia con secutivo, em meio ao pessi mismo e à ex pectativa sobre as consequências dos ataques dos Estados Unidos na economia mundial e, especialmente, para os países emergentes como o Brasil.
A Bolsa de Valores de São Paulo, a maior da América do Sul, fechou em baixa de 2,64%, com o índice Bovespa em 10.034 pontos, depois de um dia de fortes oscilações em que chegou a cair 7%. Esta semana a Bolsa acumula o negro resultado de 18,1% de baixa e uma perda de 34,2% desde o início do ano.
No câmbio, o dia também foi agitado. O real brasileiro voltou a cair e encerrou a semana a 2,690 por dólar, cotação que representa um retrocesso de 1% em relação à véspera. Na quinta-feira, o real fechou a 2,66 por dólar e, no dia anterior, a 2,691, a maior desvalorização da moeda brasileira desde sua criação em 1994.
Os atentados ocorridos nos Estados Unidos na última terça-feira causaram incertezas no mercado financeiro e os operadores ficaram sem referências para dar um preço ao dólar, explicaram analistas.
O Banco Central lançou uma oferta de títulos indexados ao câmbio no valor de 1,194 bilhão de dólares. Com a venda de títulos, o BC retira reais do mercado e reduz a pressão sobre a divisa americana.
Segundo analistas financeiros, o real brasileiro vai continuar desvalorizado, pelo menos até o final do ano. Primeiro por causa dos atentados nos EUA, que reduziram os investimentos externos, depois porque as eleições presidenciais no Brasil devem modificar os pilares da política e da economia do País. As estimativas são de que, nos próximos doze meses, a moeda local se manterá entre 2,50 e 2,70 reais por dólar. Desde janeiro, o real perdeu mais de 30% de seu valor em relação à moeda americana.
Faz exatamente um ano que um dólar custava 1,90 real, ou seja, praticamente a metade do que vale hoje. A duração da volatilidade do mercado brasileiro dependerá das definições na esfera internacional, e os analistas consultados não descartam a possibilidade de que possa haver fortes altas ou baixas nos próximos dias, uma vez abertos os mercados em Nova York segunda-feira.
Depois de começar o ano em franco crescimento, o País reverteu esta posição com o impacto da contração do crescimento americano, a situação econômica da Argentina e crise interna de energia.


