São Paulo – As notícias mais recentes da política, que trouxeram incertezas quanto ao futuro do governo, continuaram a influenciar os negócios ontem no Brasil. Os investidores da área de câmbio adotaram postura cautelosa com a questão do impeachment de Dilma Rousseff ainda indefinida e antes do feriado de Páscoa. O dólar à vista de balcão terminou em leve alta de 0,04%, aos R$ 3,6810. No mercado futuro, que encerra apenas às 18 horas, a moeda americana para abril era cotada a R$ 3,6885 (0,11%).

O início do dia foi marcado pela pressão de alta do dólar ante o real. O movimento era justificado, em parte, pela cautela em torno da política, após as notícias dos últimos dias sobre a Operação Lava Jato. A expectativa de que executivos da empreiteira Odebrecht estejam colaborando com as autoridades, além da lista de pagamentos feitos pela companhia a centenas de políticos, de dezenas de partidos, turvou o cenário. Na prática, com tantos políticos atingidos, surgiram dúvidas sobre o impeachment, que vinha sendo tratado como inevitável nas últimas semanas, e sobre quem ocuparia a Presidência na ausência de Dilma.

Outro fator que influenciava a alta do dólar no início dos negócios era o leilão de swap cambial reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro) programado pelo Banco Central, numa oferta de até 3 mil contratos (US$ 150 milhões). Além disso, a instituição havia reduzido de 2.500 contratos (US$ 125 milhões) para 2.000 contratos (US$ 100 milhões) a oferta de contratos de swap tradicional para a rolagem dos vencimentos de abril. Neste cenário, o dólar marcou a máxima de R$ 3,7210 (+1,13%) às 9h04. Depois disso, porém, a moeda começou a perder força, com exportadores aproveitando as cotações.

Bovespa
A Bovespa passou ontem por certa realização de lucros, por meio da venda de ações, mas o movimento foi limitado, com players evitando mudanças radicais de posições neste momento de indefinição no cenário político. O Ibovespa - índice de referência da Bolsa brasileira - chegou a cair 1,84% no início do dia, mas desacelerou as perdas no decorrer da sessão. No fim, após alguma melhora dos índices de ações em Nova York, o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,07%, aos 49.657,39 pontos.
Entre as ações de referência para o índice, Petrobras ON subiu 0,71%, aos R$ 9,99, e Petrobras PN teve alta de 0,39%, aos R$ 7,81. Os papéis da Vale, após chegarem a cair mais cedo, terminaram com ganhos consistentes: +6,59% o ON e +8,29% o PN.

Juros
Os juros futuros deram sequência ontem ao movimento de correção de alta das taxas visto na quarta-feira, ainda com base nas incertezas do cenário político, na alta do dólar e no aumento da percepção do risco fiscal. O ambiente externo mais cauteloso e o leilão de papéis prefixados do Tesouro Nacional também corroboraram o aumento de prêmios na curva a termo. Em sessão de liquidez mais baixa nesta véspera de feriado da Páscoa, ao término da sessão regular, o DI para janeiro de 2017 estava na máxima de 13,83%, ante 13,72% no ajuste de ontem. O DI para janeiro de 2018 subiu de 13,42% para 13,62% (máxima). Nos longos, o DI com vencimento em janeiro de 2021 estava em 14,07%, de 13,85%.

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