Dólar dispara novamente e governo volta atrás
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quarta-feira, 16 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Moeda americana chegou a ser cotada a 1,95 peso. Com isso governo argentino abandonou a decisão de adotar o câmbio flutante para o pagamento de dívidas
Buenos Aires A cotação do dólar flutuante disparou ontem e fechou a 1,95 peso, 11,4% acima do valor registrado no fechamento de segunda-feira (1,75). Segundo fontes do mercado, o aumento se deveu à utilização de cheques das contas correntes em pesos para a compra da moeda americana. Esse procedimento estava proibido durante os anos de conversibilidade, mas voltou a ser permitido com a desvalorização.
Além disso, o menor movimento de troca de dólares por pesos ajudou a cotação a subir. Grandes casas de câmbio do centro de Buenos Aires tiveram de parar de vender dólares por não contarem mais com notas da moeda americana.
No fim da tarde de ontem, meia hora antes do fechamento do mercado, quando a cotação chegava a 2 pesos, o Banco Central teria oferecido dólares aos bancos para fazer o preço cair. Segundo fontes do setor bancário, o BC ofereceu lotes de US$ 500 mil em espécie a 1,70 peso. A avaliação de alguns operadores é que o BC está tentando manter uma cotação fictícia. Só vai conseguir uma queda momentânea e só vai perder reservas com isso, disse um gerente de banco. O Banco Central não confirmava a operação.
Horas depois de o dólar começar a disparar, o governo argentino voltou atrás na decisão de adotar o câmbio flutuante para pagamento das dívidas que ficaram fora dos limites estabelecidos para a pesificação por 1 a 1. Os cálculos tinham sido feitos levando em conta um dólar de aproximadamente 1,50 peso. Com a disparada da cotação, a situação dos devedores ficaria insustentável porque os saldos dos empréstimos teriam praticamente dobrado em pesos.
A cotação usada agora será a oficial, de 1,40 peso. A prorrogação do prazo e a redução dos juros foi mantida. O Banco Central tinha determinado no fim da noite de segunda-feira que os empréstimos hipotecários de mais de US$ 100 mil seriam convertidos para pesos pelo dólar flutuante, com um aumento de prazo de até 30% para pagar e uma redução da taxa de juros de um terço. O mesmo procedimento seria usado para os créditos de mais de US$ 30 mil para reforma de casas, de mais de US$ 15 mil para a compra de carros e de mais de US$ 10 mil para empréstimos pessoais.


