Dólar dispara no Brasil com confisco na Argentina
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2002
Agência Estado 
São Paulo Em alta há cinco dias úteis seguidos, o dólar comercial atingiu ontem o maior preço desde 5 de dezembro, ao fechar vendido a R$ 2,4220, com firme avanço de 1,98%. O resultado acentuou o ganho frente o real neste mês e no ano, até o momento, para 4,58%.
O confisco anunciado anteontem à noite de cerca de US$ 30 bilhões de depósitos em renda fixa em dólares deixou o mercado doméstico de mau humor. As incertezas sobre o país vizinho, somadas à falta de fluxo de entrada de recursos, ausência de vendedor de moeda e aumento da procura, pressionaram as cotações do dólar.
O reaparecimento de algumas empresas cotando pequenos volumes de hedge cambial chamou atenção, porque os negócios no mercado à vista neste mês de férias estão concentrados com as tesourarias de bancos e poucas operações de comércio exterior.
A reversão de expectativas do mercado sobre eventual corte do juro básico, que está em 19% ao ano, ainda este mês também pesou para o aumento das ordens de compra de moeda ontem. Segundo operadores, o anúncio anteontem de que a primeira prévia do IGP-M deste mês ficou em 0,47%, muito acima das previsões do mercado entre zero e 0,20%, provocou um ajuste de posições em dólar desde a abertura dos negócios.
Também a decisão do banco de investimentos JP Morgan de elevar a recomendação dos títulos da dívida do Brasil de neutro para overweight na sua carteira recomendada de dívida de mercados emergentes não influenciou o dólar, ainda que ajude a reforçar a confiança dos investidores nos fundamentos do País.
No mercado à vista, o dólar comercial teve forte volatilidade, de 1,76%, entre a mínima de R$ 2,3830 (+0,34%) e a máxima de R$ 2,4250 (+2,10%).


