Dólar dispara na Argentina e passa barreira dos 3 pesos
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sexta-feira, 22 de março de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires - Mais uma vez milhares de portenhos abarrotaram ontem as ruas da city financeira da capital argentina para comprar dólares, independente do preço. O dia começou com a moeda norte-americana cotada a 2,60 pesos. No meio da tarde, os tabuleiros eletrônicos das casas de câmbio das ruas San Martín e Sarmiento, onde está concentrada a maior parte destas instituições financeiras em Buenos Aires, pipocavam em letras vermelhas com o inédito valor de 3,10 pesos, e chegaram em alguns lugares até 3,15 pesos.
O preço não importou para os portenhos, que - com sofreguidão - buscaram refúgio no dólar, sem se importar com as filas de até três horas que era necessário enfrentar. Quando as casas de câmbio fecharam suas portas às 17 horas, o dólar estava sendo cotado a 3,10 pesos. Esta foi a maior cotação que o dólar teve nos últimos onze anos na Argentina.
O resultado da reunião do presidente Eduardo Duhalde com o diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, refletiram imediatamente no mercado. O comunicado de apenas três linhas divulgado após o encontro confirmaram as suspeitas de que o país não contará com a ajuda financeira de forma rápida.
Além disso, também teve grande influência o rumor de que o país teria um novo feriado bancário na segunda e terça-feira. Desta forma, o governo conseguiria uma semana praticamente sem bancos e casas de câmbio, já que na quinta-feira começa o feriado de Páscoa.
O ex-presidente do BC, Javier González Fraga, criticou a atuação da atual presidência do organismo, e disse que era imprescindível intervir no mercado cambial com a firmeza necessária para abaixar a cotação do dólar.
Para tentar conter a compra de dólares, o governo até recorreu à Polícia Federal, que realizou uma blitz, detendo mais de 200 arbolitos (arvorezinhas), como são denominados os cambistas ilegais, que circulam pelas ruas oferecendo operações de compra e venda da moeda norte-americana.
Os operadores das casas de câmbio eram unânimes: As pessoas estão assustadas e não querem ficar com pesos no bolso.


