Dólar dispara, mas o BC intervém e força redução
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segunda-feira, 08 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De São Paulo 
O dólar comercial quebrou ontem uma sequência de cinco dias em alta para fechar com queda de 0,25%, a R$ 2,771. A inversão de mão do dólar ocorreu apenas no início da tarde, depois que o Banco Central ofertou cerca de US$ 50 milhões ao mercado e que o Tesouro vendeu, em dois leilões, 1,5 milhão de papéis cambiais. O início no domingo da ofensiva dos Estados Unidos e Inglaterra contra alvos no Afeganistão foi precificado pelo dólar logo após a abertura dos negócios. A moeda norte-americana subiu até 0,86%, a R$ 2,802, mas com fraco giro financeiro.
Após as três intervenções, as cotações cederam e ficaram bem-comportadas durante toda a tarde, por causa também dos feriados nos Estados Unidos, Argentina e Japão. As incertezas sobre o futuro político-econômico da Argentina, no entanto, continuaram provocando inquietação no mercado. Os encontros ontem entre os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando de la Rúa, da Argentina, e os ministros das equipes econômicas brasileira e argentina deram margem a rumores sobre um possível novo pacote de medidas a ser anunciado pelo governo do país vizinho. Como hoje os ministros da área econômica dos dois países continuarão essas discussões, há expectativas de que alguma novidade possa ser anunciada nos próximos dias.
Operadores das mesas de câmbio avaliam, no entanto, que nenhuma medida impopular, como novos cortes de recursos para as províncias ou alguma mudança significativa na política econômica, tende a ser anunciada antes de domingo, quando acontecerá a eleição parlamentar na Argentina. O presidente De la Rúa disse ontem que seu país ''manterá a conversibilidade e que não há dolarização nem desvalorização previstas''. O mercado, porém, desconfia. Para alguns operadores, a Argentina não conseguirá resolver seus problemas, ainda que venha a adotar novas medidas, enquanto manter o regime de conversibilidade entre o peso e o dólar.
Quanto aos ataques a alvos militares afegãos, a expectativa é que o dólar continuará sensível às notícias. Os operadores acreditam ainda que os preços da moeda poderão sofrer novos saltos, em caso de revide terrorista e dependendo da intensidade dessa eventual retaliação.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou 1,67%, entre a mínima de R$ 2,756 e a máxima de R$ 2,802, fechando a R$ 2,771.
Nas bolsas, o dia foi de cautela, mas nem de longe houve indícios de pânico. Depois de oscilar entre a mínima de -2,08% e a máxima de -0,23%, a Bovespa fechou em queda de 1,17% com volume financeiro de apenas R$ 248,181 milhões, o menor giro desde o dia dos ataques terroristas ao World Trade Center (Nova York) e Pentágono (Washington), em 11 de setembro. Naquele dia, a Bovespa operou por pouco mais de uma hora e movimentou R$ 169,912 milhões. Em pregão normal, foi o menor volume desde 26 de janeiro de 1995.


