Agência Folha
De São Paulo
O dólar comercial fechou ontem com sua cotação mais alta desde 8 de março. A falta de liquidez no mercado e as más notícias no cenário internacional mantiveram o câmbio sob pressão durante todo o dia. A moeda norte-americana chegou ao final do pregão sendo negociada a R$ 1,977, com valorização de 0,45% em relação a anteontem. De acordo com analistas, não houve nenhum movimento anormal nos negócios com o dólar.
O mercado já abriu nervoso, acompanhando a repercussão negativa que as declarações de Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), causaram nos mercados norte-americanos (leia nesta página). Durante a manhã, o dólar comercial chegou a ser cotado a R$ 1,989, mas não mostrou fôlego e acabou recuando um pouco.
O consequente temor de que o Fed aumente os juros básicos norte-americanos no início de novembro também ajudou a derrubar os mercados em todo o mundo. A Bolsa de Nova York despencou. O índice Dow Jones chegou a ficar abaixo dos 10 mil pontos pela primeira vez desde abril. No final do pregão, o índice se estabilizou e fechou em 10.019 pontos, com queda de 2,59%.
Na esteira do Dow, caíram os mercados no mundo inteiro. No Brasil, a Bolsa de São Paulo recuou 1,62%. A Bolsa de Londres desvalorizou 2,19% e a de Paris, 1,29%. Frankfurt perdeu 0,66%. Buenos Aires recuou 1, 43% e a bolsa mexicana despencou 4,09%.
Mas nem só a queda dos mercados nos EUA explica a crescente valorização da moeda norte-americana. Como vem ocorrendo há vários dias, a falta de oferta (liquidez), devido aos vencimentos de pagamentos externos deste mês e às posições compradas, tem mantido a cotação do dólar com tendência de alta.
Neste mês, o dólar comercial já acumula valorização de 2,02%. De acordo com analistas, o volume negociado ontem não foi grande, o que afasta a hipótese de movimentos especulativos.
O dólar negociado no mercado futuro seguiu os passos do mercado à vista e também subiu. A moeda para entrega em 1º de novembro foi cotada a R$ 1,985 nos contratos futuros negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros – alta de 0,53% em relação ao ajuste de anteontem. O dólar para dezembro fechou a R$ 2,003, com valorização de 0,56%.

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