A disparada no preço do dólar já fez a moeda norte-americana acumular valorização de 11,07% neste ano e sua cotação atingir um nível recorde (R$ 2,178) desde a implantação do real em 94. A pressão no mercado de câmbio tem sido constante desde setembro do ano passado. Do início daquele mês até o fechamento da última sexta, o dólar subiu 18,8%.
A crise político-econômica na Argentina, o pouso turbulento da economia dos EUA, a volatilidade do preço do barril de petróleo, o desgaste na base governista do país, vários foram os fatores que serviram de justificativa para os investidores pressionarem a cotação da moeda no período.
Apesar da forte alta no preço do dólar, analistas afirmam que não se pode falar em nova maxidesvalorização, como aconteceu no início de 1999. Nos primeiros dois meses daquele ano, o valor do dólar comercial chegou a acumular alta de 80%, quando a moeda atingiu a cotação de R$ 2,16.
Para os especialistas, é normal que o valor da moeda oscile, devido ao sistema cambial vigente na economia doméstica. Apesar de o governo não arbitrar mais a taxa de câmbio que prevalecerá em determinado período, ele pode intervir no mercado vendendo dólares ou títulos que pagam variação cambial quando acha necessário acalmar os investidores. A preocupação do governo com as altas do dólar é com o tamanho do contágio sobre a inflação.
Uma das formas de isso ocorrer é o aumento do custo das matérias-primas importadas que as empresas utilizam em alguns produtos. Como esses valores crescem, as empresas podem querer repassar esse custo extra para os preços finais dos produtos.
O câmbio flutuante, que foi adotado no início de 99 em substituição ao sistema de banda cambial (que tinha limites mínimo e máximo para a cotação do dólar), reflete mais intensamente as tensões na economia doméstica e internacional.
É o que tem acontecido nos últimos meses. Um dos pontos que têm preocupado o mercado doméstico mais recentemente são os desdobramentos que terão a crise econômica argentina. As instituições financeiras e empresas compram dólares mais intensamente para se protegerem contra oscilações futuras no valor da moeda, pois isso pode acabar encarecendo suas dívidas e contas contraídas em dólar. Como as incertezas em relação à recuperação do país vizinho ainda são grandes, analistas acreditam que a pressão no câmbio não deve passar tão cedo.

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