Agência Estado
De São Paulo
A iniciativa do Banco Central, de conter a alta do dólar oferecendo hedge cambial ao mercado, durou dois dias úteis. Ontem não houve leilão de títulos cambiais e a moeda norte-americana voltou a disparar, fechando com expressiva valorização de 2,29%, cotada a R$ 1,9180. Na BM&F, os contratos de câmbio futuro fecharam em alta de 2,45% (vencimento setembro, cotação de R$ 1,9230) e de 2,47% (outubro, R$ 1,9460).
Se anteontem operadores chegavam a comentar que a necessidade de hedge cambial já havia sido atendida, ontem eles disseram que o mercado quer mais. Hoje, o Banco Central voltará a oferecer NBC-E. Mas se o leilão será suficiente para conter a pressão no câmbio, ninguém se arrisca a dar um palpite seguro. A elevação dos juros promovida ontem pelo Fed, de 0,25 ponto percentual (foi a 5,25% ao ano), não entrou na lista de motivos que estão mantendo o dólar em alta. O cenário interno continua sendo a principal referência para o mercado cambial. ‘‘A alta do juro nos Estados Unidos já estava no preço do dólar. O Fed agiu dentro do que já era esperado, sem surpresas’’, comentou um operador.
De outro lado, a alta do dólar continua sendo resultado de um movimento especulativo do mercado, que agora volta a testar o Banco Central para que este coloque em leilão mais títulos com correção cambial. Criou-se a imagem de que R$ 2,00 é uma barreira importante para o governo no que se refere ao seu esforço de melhorar a imagem de FHC perante a opinião pública. Ou seja, se o dólar voltar a encostar nessa cotação, o BC voltaria a atuar, dizem alguns operadores. E o mercado, agora, testa esse patamar.
Os juros futuros fizeram meia-volta e tornaram a subir na BM&F. A causa foi a volatilidade do dólar ontem. Mesmo assim, os juros não ‘‘devolveram’’ integralmente a baixa registrada na véspera, o que mostra um comportamento não tão nervoso. Operadores descartam maiores influências do cenário externo ontem nesse movimento. A alta de 0,25 ponto nas taxas norte-americanas (Fed Fund e redesconto) já era esperada. E, depois de muito oscilar, o Dow Jones fechou o dia com queda bem pequena.
A Bolsa de Nova York ziguezagueou com vontade após a decisão do Fed de elevar os juros, atingindo a máxima de +66 pontos e a mínima de -105 pontos. Fechou em queda de 16,5 pontos. A Bovespa acompanhou o movimento de alta do Dow e chegou a bater na máxima de +1,77%. Cortou um pouco os ganhos com o recuo da bolsa norte-americana, mas ainda assim fechou em alta de 1,30%.

mockup