São Paulo – O dólar voltou a subir ontem. A moeda norte-americana encerrou o dia com alta de 1,95%, a R$ 3,92. Na contramão, o risco-país brasileiro caiu 0,9%, para 2.260 pontos e as projeções para os juros futuros também cederam. Segundo analistas, um fator específico de mercado definiu a valorização do dólar ontem.
  Ontem foi o dia de vencimento de US$ 3,6 bilhões em dívida do governo atrelada ao dólar e o Ptax (preço médio do dólar, medido diariamente pelo BC) de ontem balizaria o valor a ser pago no resgate, hoje. O BC renovou 61,6% do vencimento e houve um movimento de pressão nas taxas para garantir um rendimento maior no pagamento dos títulos. O Ptax teve alta de 0,46%, para R$ 3,8744.
  O BC tentou prosseguir com a rolagem da dívida em duas operações, uma de manhã, outra à tarde. Só aceitou as propostas para US$ 83 milhões em contratos de ‘‘swap’’ com vencimento em 1º   de novembro. Mais uma vez não divulgou as taxas que pagou na operação, alegando que o prazo curtíssimo distorce os números.
  Segundo analistas, o BC pode ter aceitado pagar juros altos por um prazo curto por avaliar que não deve carregar por tanto tempo vencimentos a taxas muito elevadas: ‘‘De um lado, o BC pode avaliar que, definidas as eleições, conseguirá renovar os papéis pagando taxas menores’’, afirma Eduardo Berger, do Lloyds TSB. ‘‘Na outra ponta, o mercado pede taxas muito altas para tentar garantir seus ganhos.’’ O mercado avalia que o dólar está muito caro e uma definição no cenário eleitoral pode fazer com que a moeda caia. O título cambial paga juros mais a variação do dólar em determinado período.
  Há os que criticam a rolagem a prazos muito curtos, utilizando o mesmo argumento. ‘‘O BC está empurrando o problema para a semana em que o novo presidente será conhecido, o que pode causar mais dificuldades’’, afirma Miriam Tavares da AGK.
  Quando saiu o resultado da segunda tentativa frustrada de rolagem, o dólar deixou uma alta na casa de 0,70% para encerrar com valorização de 1,95%.

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