Dólar dispara com confusão de dívida
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quinta-feira, 07 de novembro de 2002
Agência Folha 
São Paulo Acabou a trégua no câmbio, pelo menos ontem. O dólar disparou 3,83% e encerrou os negócios vendido a R$ 3,66. O desencontro de informações sobre o não-pagamento de uma parcela de amortização da dívida da Prefeitura de São Paulo com a União azedou o humor do mercado e encerrou a sequência de baixas do dólar nos últimos dias.
O dólar já abriu em forte alta e fechou na máxima do dia. As explicações do secretário das Finanças de São Paulo, João Sayad, e do Tesouro Nacional, no sentido de que a prefeitura não deu calote, mas apenas deixou de exercer uma opção, não foram suficientes para reverter a escalada do dólar.
''O mercado está muito receoso em relação ao tema (calote). Um erro de interpretação foi suficiente para fazer tudo isso. Apesar de o mercado ter demonstrado calma nos últimos dias, o episódio mostra que caminhamos em gelo fino'', afirma Alexandre Vasarhelyi, chefe da mesa de câmbio do banco ING.
Antes de as autoridades se pronunciarem sobre o assunto, as tesourarias de bancos saíram à compra de dólares. Operadores afirmam que a presença de empresas no mercado de câmbio foi muito pequena.
''Se mesmo sem acontecer nada de mais grave já deu nisso, imagine se algo (um calote) realmente acontecesse'', diz Vasarhelyi. Há quase um mês o dólar não subia tanto em um dia.
No mercado externo, os C-Bonds, principais papéis da dívida, fecharam em queda de 1,4%, vendidos. O risco-país subiu 4,4%, para 1.827 pontos.
''O mercado melhorou após o fim das eleições e (as pessoas) acharam que havia uma lua-de-mel com o novo governo. Isso não é verdade. Qualquer notícia, ou falta dela, acaba sacudindo o mercado'', diz Joaquim Kokudai, do banco Lloyds TSB.
O Banco Central voltou a atuar no câmbio, sem conseguir deter a alta do dólar. Segundo operadores, foi realizada venda de dólares pelo BC no início da tarde.
As taxas de juros acompanharam a escalada do dólar. Nos últimos dias, os contratos DI -que consideram os juros interbancários- vinham operando com poucas oscilações.
No contrato DI de prazo mais curto, o de dezembro, negociado na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), as taxas subiram de 21,64% para 21,95% ao ano. No contrato de janeiro de 2003, o mais negociado, a taxa fechou em 22,93%, contra 22,63% ao ano registrados no dia anterior.


