Curitiba - Em movimento de consolidação da tendência de queda, o dólar fechou ontem em R$ 1,98, valor 0,79% menor que na segunda-feira. A redução do câmbio associada à diminuição das tarifas de energia elétrica têm sido os instrumentos que o governo federal tem utilizado para tentar combater a alta da inflação e não subir a taxa de juros. O problema é que a queda da moeda norte-americana traz impactos negativos para a indústria e o agronegócio brasileiro. E, as previsões são de que a cotação da moeda não passe dos R$ 2, ao menos, no primeiro trimestre do ano.
Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, a grande preocupação do governo é controlar a inflação. ''Se o dólar ficar alto ocorrem pressões inflacionárias'', explicou. A consequência negativa é que o dólar baixo prejudica as exportações da indústria e facilita as importações, o que aumenta a competição dos produtos nacionais com os de outros países.
Segundo Zurcher, alguns estudos apontam que um dólar interessante para a exportação seria no patamar de R$ 2,30. Ele acredita que o processo de ajuste do câmbio vai ser demorado. Na última segunda-feira, o Banco Central realizou um leilão para rolar US$ 1,85 bilhão em contratos de swap cambial tradicional - que equivalem a uma venda de dólares no mercado futuro.
Conforme o economista, o setor têxtil e de vestuário já vem sendo prejudicado com o dólar baixo que facilita a importação de produtos asiáticos. Nas exportações, as indústrias mais afetadas são de material elétrico, de veículos, peças, mecânica e a de papel. ''Para a indústria voltar a ser mais competitiva no mundo seria necessário reduzir a carga tributária, ter um câmbio adequado e infraestrutura competitiva'', destacou.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Sandro Silva também acredita que o dólar baixo dificulta as exportações. Além disso, torna os importados mais baratos e, com isso, estes itens concorrem com os produtos nacionais. No ano de 2011, o dólar médio foi de R$ 1,67 e, em 2012, ficou em R$ 1,95.
A economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) Gilda Bozza acredita que o governo vai permitir que o real se valorize frente ao dólar para conter a inflação. Ela disse que se o dólar ficar abaixo de R$ 1,95 seria ruim para o agronegócio. ''Acredito que o governo não vai permitir isso'', declarou. Para Gilda, um câmbio mais ajustado para o setor seria entre R$ 2,10 e R$ 2,20.
Para o superintendente do Banco Confidence, Emerson Marchiori, as formas que o governo encontrou para combater a inflação foram a redução das tarifas de energia elétrica e a queda do dólar. Segundo ele, a moeda norte-americana em queda facilita a importação de matéria-prima e de máquinas pelas indústrias. No entanto, por outro lado, prejudica muito as exportações.
Marchiori disse que o impacto da queda do dólar no setor do agronegócio vai depender também de como se comportarem os preços das commodities no mercado internacional.
Ele destacou que um dos benefícios do dólar mais barato é para quem pretende viajar para o exterior ou estudar fora do País. Marchiori prevê que o dólar oscile entre R$ 1,95 e R$ 2 no primeiro trimestre deste ano. Entre março e junho deve flutuar entre R$ 2 e R$ 2,10.

Imagem ilustrativa da imagem Dólar deve permanecer abaixo dos R$ 2 no primeiro trimestre
mockup