Dólar deve afetar preço da farinha de trigo
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segunda-feira, 06 de outubro de 2008
Jane Miklasevicius<br>Agência Estado 
São Paulo - Com a disparada do dólar e a restrição no crédito, a indústria moageira prevê dificuldades neste final de ano. O abastecimento não está ameaçado, mas a matéria-prima da farinha ficará mais cara, já que 50% do volume de trigo processado vem de fora e os moinhos financiam essa aquisição. Lawrence Pih, diretor-presidente do Moinho Pacífico, o maior do País, diz que já há problemas para obtenção de linhas de crédito e mesmo as tradings, que contam com financiamento da matriz, estão com recursos limitados pela falta de liquidez. Além das dificuldades de crédito, Luiz Martins, diretor do Moinho Anaconda, ressalta que a indústria está processando um trigo comprado com dólar a R$ 1,50 e que será pago com dólar a R$ 2,20. Segundo ele, o repasse desse aumento de custo aos preços da farinha é inevitável.
Nas contas de Pih, os preços da farinha para panificação, hoje por volta de R$ 52 a saca de 50 quilos em São Paulo, deveriam ser de R$ 62, valor de reposição. No caso da pré-mistura, usada para massa e biscoitos, Martins calcula que o preço atual de R$ 32/saca deve ser reajustado para um valor próximo de R$ 36/saca, considerando o novo cenário para importação.
O Brasil está colhendo a nova safra de trigo e a previsão é de que atinja 5 milhões de toneladas, 2 milhões de toneladas acima da produção do ano passado. Com isso, o volume do importado deve cair até o ano passado superava os 6 milhões de toneladas. No mercado internacional, os preços do trigo estão em queda, acompanhando o desempenho das demais commodities agrícolas. Hoje, na Bolsa de Kansas, que negocia contratos de trigo hard, usado na panificação, os preços estão em queda. Só no último mês a desvalorização superou 25%. Mas no mercado argentino, ao contrário, os preços estão relativamente estáveis.
Principal fornecedora de trigo para o Brasil, a Argentina reduziu a área plantada com o cereal neste ano e, devido à estiagem, deve colher uma safra bem menor, estimada pelo mercado em 11,5 milhões de toneladas, para um consumo interno de 6 milhões de toneladas. A oferta menor e a já esperada intervenção do governo na comercialização ajudam a sustentar as cotações. Nos últimos dois anos, o governo argentino tem limitado as exportações para garantir trigo no mercado interno. A última liberação de 1,4 milhão de toneladas foi feita há dois meses e o mercado brasileiro avalia que grande parte desse volume foi destinada a outros países.


