O mês de março deve ser menos tumultuado do que fevereiro para o mercado de câmbio. Essa é a expectativa de executivos do mercado financeiro, que apostam até numa queda da cotação do dólar para algo entre R$ 1,80 e R$ 1,90, especialmente depois da segunda quinzena.
Os meses de abril e maio costumam ser bons para a balança comercial e deve haver entrada de dólares provenientes da exportação da safra de grãos. Como a arbitragem entre taxas tende a começar antes, o movimento de ingresso de dólares já pode começar em março. ‘‘Com isso, o dólar poderia ficar abaixo de R$ 1,80 no começo de abril’’, acredita Renato Soriano, diretor da Linear Distribuidora. Antes de atingir esse nível, alguns passos terão de ser dados. O presidente indicado do Banco Central (BC), por exemplo, deverá tomar posse.
A expectativa, também, é que parte do dinheiro repassado pelo Fundo Monetário Internacional ao Brasil - US$ 9,3 bilhões - seja direcionada para abastecer o mercado, que está ‘‘seco’’ de dólares, contribuindo para reduzir as cotações. Soriano observa, no entanto, que a cada dia que passa fica mais difícil a cotação do dólar retornar aos níveis considerados aceitáveis um mês atrás, em torno de R$ 1,60.
Segundo ele, os preços da economia em geral já se estão ajustando a um dólar elevado, alimentando a inflação. ‘‘Acredito que a cotação teria de retornar a R$ 1,70 para não pressionar tanto o custo de vida’’, observa.
As boas perspectivas para o dólar não se devem concretizar na primeira semana deste mês. É certo que, passado o vencimento de contratos futuros, a pressão sobre as cotações tendem a desaparecer. E hoje, vale lembrar, é dia de liquidação dos contratos de dólar relativos a março. Ou seja, deixou de existir um importante fator de alta de preço.

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