O encarecimento do trigo importado provocado pela desvalorização do real está levando muitos produtores do Paraná a procurar sementes do cereal, apostando num mercado mais compensador este ano. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes e de Mudas (Abrasem), Ywao Miyamoto, a procura por sementes já é grande, mas não deve faltar o produto. ‘‘O que deve acontecer é acabar as sementes mais produtivas e com resistência a algumas doenças’’, afirmou.
Segundo Myamoto, o Estado tem disponível 2,7 milhões de sacas de 50 kg de sementes de trigo, suficientes para semear entre 900 mil e 1 milhão de hectares. O presidente da Abrasem observou o atraso na liberação do Empréstimo do Governo Federal (EGF) para os produtores de sementes de trigo estocar a produção acabou desviando parte da produção destinada ao plantio para os moinhos. ‘‘A chuva na colheita também prejudicou a qualidade do trigo produzido para semente, contribuindo para a redução da oferta’’, disse.
Outro fator que reduziu a oferta de sementes, segundo Miyamoto, foi a falta de uma política definida para a cultura. ‘‘O governo não deu estímulos para a triticultura, e os produtores de sementes não fizeram muita questão de aumentar sua produção temendo não haver interesse dos agricultores’’, afirmou.
Miyamoto lembrou que o governo federal tem como meta garantir a produção de 50% do consumo interno de trigo, que é de 8 milhões de toneladas, até o ano 2001. Este aumento da produção seria gradativo, sendo que este ano a produção deveria atingir 3 milhões de toneladas.
O presidente da Abrasem acredita que mesmo que a disponibilidade de sementes seja fator limitante para a ampliação da área com trigo, o governo pode conseguir atingir a meta prevista de produção para este ano. ‘‘Se o governo cumprir com sua parte, liberando recursos dentro do prazo, os produtores respondem com aumento de produtividade, investindo em tecnologia’’, afirmou. Segundo ele, com investimento em tecnologia, os produtores brasileiros teriam condições de colher até 4.000 toneladas de trigo/ha.
O gerente da área técnica da Cooperativa Agropecuária Cascavel Ltda. (Coopavel), Rogério Rizzardi, disse que os produtores ainda não absorveram as mudanças do câmbio para decidir sobre o plantio do trigo. ‘‘Mas a triticultura nacional acabou sendo viabilizada por caminhos tortos, com a alta dos custos de importações, ao invés de uma política concreta para o setor’’, comentou. Para Rizzardi, a correção do preço mínimo do produto, hoje em R$ 157,00/t, para R$ 170,00 já seria suficiente para viabilizar a cultura.

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