O mercado de juros pautou-se ontem finalmente por expectativas positivas em relação à Argentina. Os juros futuros voltaram a cair e as apostas para a nova taxa Selic, a ser definida hoje pelo Comitê de Política Monetária (Copom), passaram a se concentrar em níveis mais baixos do que os imaginados há duas semanas. O leque de estimativas ainda vai da manutenção da Selic em 18,25% até uma elevação para 25%, mas a maioria das instituições financeiras calcula que a alta deva ficar ao redor de um ponto porcentual (19,25% ao ano).
Todo o mercado ficou mais aliviado com o acordo do governo argentino com a oposição, fechado na noite de segunda-feira, quando os peronistas decidiram aceitar o programa do ‘‘déficit zero’’. Naturalmente, o governo De la Rúa teve de fazer concessões, mas, até o momento, o mercado está considerando que isso não comprometeria os efeitos pretendidos pelo ajuste fiscal.
Como todo o mercado ficou menos pessimista, o dólar voltou à casa dos R$ 2,50 e a bolsa subiu, as instituições financeiras passaram a avaliar, em sua maioria, que o Copom não precisará puxar muito os juros desde já. Deve aguardar uma definição melhor do cenário argentino, poupar munição para o caso de real necessidade e evitar mais uma pressão (que poderia ser precipitada) sobre a dívida pública.
Odólar comercial registrou ontem a segunda maior queda deste ano, de 3,18%, ao fechar cotado a R$ 2,50, na venda. As tesourarias de bancos aproveitaram este momento de respiro do mercado, após várias semanas de inquietação, para vender moeda e realizar lucros, disse experiente operador de mesa de câmbio de uma corretora. O BC também voltou a vender moeda no mercado à vista, contribuindo para a queda. Mas, mesmo com o recuo acentuado no dia, o preço do dólar continua salgado: neste mês, o ganho frente ao real está em 8,13% e, em 2001, em +28,14%.
Os profissionais do mercado disseram que, apesar da melhora dos indicadores econômicos argentinos por causa do acerto político, persistem incertezas sobre a eficácia das negociações entre governo e governadores das províncias para se chegar à meta de corte de gastos. Além disso, também ainda é grande a desconfiança sobre a capacidade de o país vizinho vir a honrar seus compromissos e de manter o regime de conversibilidade. A Bolsa paulista fechou em alta de 2,58%. (AE)

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