Dólar despenca; mercado prevê queda forte no juro
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terça-feira, 13 de abril de 1999
Agência Folha 
O dólar despencou ontem para R$ 1,665, uma desvalorização de 1,77% em um dia. O mercado derrubou os juros futuros e passou a apostar em uma queda mais forte nas taxas básicas, hoje, na reunião do Comitê de Política Monetária. Os juros básicos estavam em 39,5% ao ano ontem. O mercado espera um corte para até 30%. Os mais cautelosos falam em 36%.
O dólar não pára de cair por causa dos altos juros brasileiros. O investidor capta no mercado externo a 10% ao ano e vem investir aqui recebendo até 10% a mais. A intervenção do Banco Central no mercado tem sido insuficiente para conter a desvalorização do dólar. Ontem, ele teria comprado US$ 200 milhões sem conseguir segurar a queda.
Da mesma forma que as altas bruscas assustam, as quedas bruscas também. O exportador e o importador ficam sem referência, diz Carlos Gandolfo, da Pioneer Corretora de Câmbio. O investidor externo está de olho na balança comercial, diz ele. As exportações são uma forma mais saudável de trazer dólar ao País do que o investimento especulativo nos juros altos.
Se o dólar cai, as exportações brasileiras se tornam mais caras no mercado externo. As importações ficam baratas e crescem, gerando déficit comercial. Os investidores apostam que, sem queda forte nos juros hoje, a entrada de dólares vai continuar forte.
A venda da Comgás preocupa especialmente o mercado de câmbio. Estima-se que a empresa poderá ser vendida com ágio de até 40%. O comprador externo traria entre US$ 500 milhões e US$ 600 milhões na segunda-feira ou terça-feira próximas, para liquidação no dia 22. Se isso acontecer o dólar pode despencar com mais força ainda. Outra alternativa do BC seria evitar que os dólares para a compra da Comgás cheguem ao mercado. Poderia comprá-los diretamente do vencedor no leilão da Comgás. Mas, segundo a especialista de banco estrangeiro, o BC não tem interesse em comprar dólar e aumentar reservas. O BC precisa de reais e, se comprar dólar, tem de emitir títulos em reais pagando juros altos.
A expectativa de queda nos juros foi confirmada no leilão de títulos públicos prefixados. O BC vendeu R$ 1 bilhão de títulos de vencimento em 56 dias e pagou taxas de 31,54% ao ano, na máxima, e de 31,33%, na média. Na quinta-feira passada, os bancos pediram taxas máximas de 33,19% ao ano, na máxima, e de 33,02%, na média, para papéis de vencimento em 54 dias. Também no mercado futuro a queda foi forte: os juros projetados para abril caíram para 34,97% ao ano, contra 35,70% anteontem.


