O dólar fechou ontem em seu menor valor em sete meses. A moeda americana encerrou o dia cotada a R$ 2,297, em baixa de 1,16%. Desde 11 de maio, quando valia R$ 2,283, o dólar não se situava abaixo dos R$ 2,30. No mês, a moeda tem queda de 8,12%. No ano, a valorização é de 17,73%.
Segundo operadores, o principal motivo para a baixa da moeda ontem foi uma grande entrada de recursos no País. Não está confirmado, mas boa parte deles arrisca a dizer que foram os US$ 500 milhões vindos de uma captação da companhia de bebidas AmBev, anunciada pela empresa no final de novembro.
O governo também divulgou ontem que, neste mês, US$ 1,3 bilhão em investimentos estrangeiros diretos ingressaram no País (leia na página 2). Com esse resultado, o Brasil deverá receber neste ano cerca de US$ 20 bilhões de investimentos estrangeiros diretos. A projeção inicial era de US$ 19 bilhões.
Há também a avaliação de que há excesso de oferta de dólar, já que não há interesse em comprar a moeda americana. Além desse fato, analistas lembram que o cenário atual é bastante positivo, graças a uma combinação de boas notícias. Entre elas, o bom resultado da balança comercial e o acordo entre Varig e Boeing. Na noite de ontem, após o fechamento dos mercados, a agência de classificação de risco Moody's elevou o rating de 15 bancos brasileiros. O anúncio poderá abrir caminho para que o número de captações brasileiras aumente.
Apesar da atual trajetória de queda do dólar, o mercado continua protegido contra uma possível desvalorização do real. Segundo estatísticas apuradas na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), a participação dos contratos cambiais no volume total de negócios continua praticamente estável passou de 48,10% para 48,40%, entre 30 de novembro e 11 deste mês.
Os dados da BM&F indicam que o recuo do dólar é consequência de uma pressão de venda da moeda americana no mercado à vista. Segundo analistas, as instituições financeiras estão se desfazendo de ativos cambiais para cobrir suas necessidades de caixa, mas ainda mantêm o mesmo nível de ''hedge'' (proteção) contra uma nova alta do dólar.

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