Dólar desaba 2,62%, e fecha a R$ 3,08
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terça-feira, 15 de abril de 2003
Denyse Godoy<br> Agência Folha 
São Paulo Vendido a R$ 3,080, o dólar comercial atingiu no fechamento ontem o seu menor valor desde 2 de setembro, praticamente um mês antes do primeiro turno da eleição presidencial, quando parte do mercado apostava que o então candidato José Serra (PSDB) conseguiria reverter a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
Apenas ontem, a moeda norte-americana recuou 2,62% com a simples expectativa de que possa cair ainda mais nos próximos dias. O raciocínio é simples: antes de perder mais dinheiro, quem tem dólar procura vender a moeda e derruba ainda mais a cotação.
Entre os fatores que levam a um dos maiores recuos do câmbio desde a implantação do regime flutuante, os investidores estrangeiros citam perspectivas positivas para o Brasil no curto prazo, com a consequente entrada de recursos no País.
Há dúvidas, porém, no impacto do fim da guerra na avaliação de risco brasileiro. A guerra trouxe uma completa realocação de recursos nos países emergentes, o que beneficiou o Brasil. Após a guerra, porém, é possível que ocorra uma nova realocação desse dinheiro.
As variações do risco-país e do C-Bond, principal título da dívida externa brasileira, são sinais disso. O risco estava, no final da tarde de ontem, em 883 pontos-base, com pequena alta de 0,68%, e o título era negociado a 85,313% do seu valor de face, com elevação de 0,37%. A Bovespa acompanhou o otimismo e subiu 1,96%, voltando ao patamar de 12 mil pontos no Ibovespa.
O discurso do governo Luiz Inácio Lula da Silva nos últimos dias alimenta o otimismo. O ministro Antonio Palocci (Fazenda) e Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, participaram no final de semana de reunião entre representantes de todos os países que fazem parte do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Falando sobre a política econômica adotada no País, arrancaram elogios do G-7 (grupo dos sete países mais desenvolvidos do mundo) e de seus pares. Além das boas notícias com relação à economia do país, o segundo fator que explica as grandes perdas do dólar ontem é o chamado ''efeito manada''.
As empresas exportadoras se desesperaram diante da forte queda registrada pela moeda norte-americana no começo do dia e lideraram uma corrida para se livrarem dos dólares que têm em caixa, a fim de minimizarem seus prejuízos. Destacaram-se, vendendo dólares, a Petrobras e a Volkswagen.
Espera-se que entrem no País, nos próximos dias, os recursos captados por empresas nacionais no mercado externo. O Bradesco, por exemplo, conseguiu US$ 250 milhões e, quando trocar esse montante por reais, deverá contribuir para derrubar ainda mais a cotação da moeda norte-americana.


