Agência Estado
De São Paulo
O dólar ‘‘derreteu’’ ontem e fechou na cotação mais baixa desde 21 de setembro. O nome que explica esse comportamento da moeda norte-americana é Banco Central. Com uma ação que teve início na última semana de outubro e, até agora, encontrou seu ponto máximo na tarde de ontem, o BC conseguiu afastar o fantasma da especulação e das incertezas em relação a dezembro, o mês do bug do milênio. Resultado: o mercado agiu ontem como se janeiro já tivesse chegado, desovando posições em dólar e pagando mais barato, em dólar, para entrar no ano 2000.
No encerramento dos negócios, o dólar caía 1,36%, fechando em R$ 1,8860. Na BM&F, os contratos de câmbio futuro fecharam em baixa de 1,22% para os vencimentos janeiro (R$ 1,89550) e fevereiro (R$ 1,90700). O principal motivo para a queda do dólar, segundo operadores, foi o anúncio feito ontem à tarde pelo BC de um leilão de compra e venda de dólares a termo visando dar liquidez ao mercado de câmbio durante o período do bug.
A forte queda do dólar costuma contrariar os interesses das bolsas, pois encarece as ações domésticas para os estrangeiros. Mas ontem foi diferente. O mercado preferiu focar sua análise no âmbito macroeconômico: a apreciação do real afasta o temor de a inflação sair do controle e abre caminho para o País crescer e atrair o capital externo em 2000. Assim como no câmbio, os investidores em ações estão antecipando janeiro, quando se espera a volta dos parceiros estrangeiros aos pregões brasileiros.
Mesmo quem não se fia totalmente nesta análise saiu comprando ontem, para não perder o boom. ‘‘Um efeito manada no bom sentido’’, comentou um operador. Neste clima, a Bovespa fechou com forte alta de 2,44% e girou expressivos R$ 898 milhões. O Recibo de Telebrás PN disparou 3,63%, cotado a R$ 185 30. Das ações que compõem o índice da carteira teórica paulista, apenas cinco fecharam em queda. Mas foi a lista das maiores altas que impressionou. Telesp Celular PNB disparou 15,2%, para R$ 113,50, encabeçando o ranking do Ibovespa.

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