Dólar deixa pãozinho mais caro
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sexta-feira, 01 de junho de 2012
Victor Lopes <br> Reportagem Local 
O mês de junho começou e um alimento indispensável na mesa dos brasileiros vai ficar mais caro. Nos próximos dias, o pão deve sofrer reajuste médio de 5% em todas as padarias do País. O impacto vai ser percebido pelo consumidor, principalmente no pão francês. Em Londrina, o produto é comercializado a R$ 7 o quilo, em média, e, de acordo com alguns proprietários de panificadoras, poderá ultrapassar a casa dos R$ 8 nas próximas semanas. A principal justificativa para a elevação dos preços está na alta do dólar, o que fez com que a tonelada do trigo importado - utilizado pela indústria moageira para a fabricação da farinha - sofresse um reajuste de quase US$ 40, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Panificação e Confeitaria (Abip).
O presidente do Sindicato da Indústria do Trigo do Paraná, Marcelo Volsnica, explica que existem outros fatores para a valorização da commodity. Além da alta da moeda americana, o trigo importado está mais caro porque o País está na entressafra do cereal, ou seja, está acontecendo um ajuste de mercado. ''Os repasses para o preço da farinha já estão acontecendo há pelo menos 30 dias. Devem alcançar uma alta de até 15%'', comenta ele.
Neste cenário soma-se ainda o fato de que o Paraná este ano importou ainda mais trigo, principalmente da Argentina e Paraguai. Isso porque as chuvas atrapalharam a produção no campo. O Sindicato calcula que os moinhos trabalharam com pelo menos 30% do trigo de outros países da América do Sul. ''A média fica em 25% de importação, mas este ano passou disso. Em setembro, a safra brasileira retoma, mas é possível que a pressão para a queda dos preços da commodity aconteça apenas em outubro'', salienta Volsnica.
Alguns empresários do ramo da panificação entrevistados pela FOLHA confirmam que a farinha de trigo já aumentou. Os irmãos André e Adriano Spirandelli, proprietários da Panificadora Santa Ceia, comentam que há pelo menos dois meses estão pagando R$ 39 o saco de 25 kg de farinha. ''Antes, pagávamos entre R$ 29 e R$ 31. Há mais de dois anos não mexemos no preço do pãozinho'', comentam eles.
Os irmãos, que vendem o produto a R$ 7 o quilo, ainda não estipularam de quanto será o aumento, mas não acreditam que a alta possa influenciar nas vendas. ''No começo, o pessoal pode ficar meio ressabiado, mas não vejo uma queda das vendas'', explicam. A justificativa para tal confiança está no sucesso do empreendimento. Quando iniciaram no negócio, há 13 anos, o pãozinho francês saia por R$ 0,12. Hoje, é vendido a R$ 0,35 e as vendas não param de crescer. ''Há cinco anos, vendíamos por volta de mil pães por dia. Hoje já são três mil'', calcula André.
Já a proprietária da Panetteria Palhano, Eliethe Hodas, comercializa seu produto a R$ 7,50 o quilo por trabalhar com dois tipos de farinha, sendo uma delas especial. Eliethe diz que consegue preços melhores com seu fornecedor porque trabalha de forma exclusiva com ele, mas ontem mesmo foi avisada sobre um possível reajuste da farinha. ''Eu não pago o preço cheio no saco, mas o vendedor me confirmou que deve acontecer um reajuste entre 5% e 8%. Infelizmente, com o trigo brasileiro não é possível fazer um pão de qualidade. Vou ter que refazer os custos para ver o quanto vai subir'', adianta a empresária.


