São Paulo - O dólar continuou ontem seu avanço mais recente ante o real, sem que o mercado enxergue um teto para as cotações. A aversão aos ativos brasileiros, em meio à desconfiança na economia, somou-se ao ambiente ruim também no exterior para fazer o dólar encerrar a R$ 2,87 no balcão, em alta de 1,38%. Foi a quarta sessão consecutiva de ganhos, com a moeda americana atingindo o maior patamar desde o dia 25 de outubro de 2004. O dólar para março subiu 1,26%, aos R$ 2,8820.
Nas mesas de negócios, profissionais do mercado voltaram a citar os problemas internos como o principal catalisador da escalada do dólar. Os números do varejo brasileiro em dezembro do ano passado, que mostraram retração de 2,6% nas vendas ante novembro e alta de apenas 0,03% ante dezembro de 2013, juntaram-se à bateria mais recente de indicadores desfavoráveis ao País.
Da política de Brasília, veio a notícia de que a Câmara aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que torna obrigatório o pagamento de emendas parlamentares - o chamado Orçamento impositivo. Isso impede que o Planalto congele o desembolso de emendas. Para piorar, existem dúvidas sobre a capacidade de o governo conseguir fazer passar, mais à frente, as mudanças nos benefícios sociais estabelecidas em medida provisória.
Não bastassem esses fatores, o dólar também subia de forma consistente no exterior ante outras divisas de emergentes e exportadores de commodities, em meio às dúvidas sobre o futuro da Grécia na zona do euro.
No Brasil, o dólar oscilou com ganhos consistentes durante todo o dia. Chegou a uma mínima de R$ 2,847 (alta de 0,57% sobre o dia anterior), com os investidores ensaiando realização dos lucros mais recentes, vendendo moeda, e alguns players reagindo a uma mensagem escrita do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, na qual reafirmou o compromisso com o ajuste fiscal e o controle das contas públicas.

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