São Paulo - O setor moveleiro gaúcho se adaptou à nova realidade cambial e não projeta realizar novas demissões este ano. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário do Rio Grande do Sul, Volnei Benini, o segmento reduziu 3 mil postos de trabalho em 2006 para adaptar seus custos ao câmbio e trabalha com uma cotação de R$ 2,15 para 2007. No entanto, se o dólar manter a trajetória de queda, essa perspectiva está ameaçada. ''Não existe política cambial no Brasil. Em outros países ela é estável. A gente sabe qual será o câmbio daqui há seis meses'', disse.
Para Benini, o dólar em R$ 2,09 já compromete a estabilidade do setor e pode gerar mais demissões. ''Se o patamar do dólar continuar como está atualmente deveremos registrar queda de 5% no faturamento, o que pode promover mais desemprego. Já estamos trabalhando com pouco lucro ou nada.''
A BRV Móveis, de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, que começou a exportar em 2003, com o dólar valorizado, aproveitou os ganhos para importar, investindo em tecnologia e no parque fabril. Com 83% do seu faturamento proveniente das exportações, a empresa atualmente produz menos de 40% de sua capacidade total. ''O investimento está parado. Nossas máquinas, que poderiam produzir durante 24 horas, mal funcionam 8 horas'', lamenta Benini.
Das 285 empresas do setor instaladas no Rio Grande do Sul, cerca de 60% mantêm seu foco no mercado externo. Segundo ele, em 2006, oito empresas fecharam suas portas e outras reduziram o porcentual exportado devido a perda da competitividade no mercado externo.

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