Dólar comercial tem a maior queda do ano e fecha a R$ 1,80
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sexta-feira, 02 de junho de 2000
Agência Folha De São Paulo 
A divulgação do nível de desemprego norte-americano foi o dado que faltava para derrubar de vez a cotação do dólar no Brasil. Ontem, a moeda dos Estados Unidos registrou queda de 0,99%, a maior do ano.
O dólar comercial fechou em R$ 1,802. Nos últimos três dias, quando também foram divulgados outros indicadores de desaquecimento da economia dos EUA, a cotação da moeda caiu 1,64%.
Esses indicadores diminuíram os temores quanto a novos aumentos de juros no país. O Federal Reserve tem elevado as taxas para evitar que os altos níveis de crescimento econômico provoquem um aumento na inflação nos EUA.
Juros maiores nos Estados Unidos podem ameaçar o fluxo de capital para países emergentes, pois os investidores passam a preferir aplicar seu dinheiro nos EUA, onde o risco é menor.
Além disso, as dúvidas quanto ao rumo da economia norte-americana fazem com que a procura por hedge aumente, ou seja, muitos investidores compram dólares no mercado à vista ou no mercado futuro para se proteger de uma possível crise. A combinação desses dois fatores provoca uma valorização da moeda norte-americano.
Ontem, o que se viu foi um movimento contrário: muitas instituições que haviam procurado hedge começaram a trocar suas posições, ou seja, venderam os dólares comprados anteriormente, quando as incertezas eram maiores.
Em um regime de câmbio flutuante, o dólar é o principal indicador do nível de nervosismo do mercado. Em um momento de incerteza, todos correm para o dólar, o que puxa sua cotação para cima.
Um sinal de que o humor dos investidores está melhorando foi o leilão de R$ 800 milhões em notas cambias (títulos que são corrigidos pela variação do dólar) realizado ontem pelo Banco Central.
Os títulos são uma outra forma de se fazer hedge, pois acompanham as oscilações do dólar.
Os juros pagos por esses papéis ficaram em 11,15% ao ano. Em momentos de maior nervosismo, essa taxa chegou a 12,3%.
A queda das taxas pode ser entendida de duas maneiras. Quanto maior a procura por esses títulos, menor é a taxa de juros que o BC precisa pagar para os compradores.
Além disso, quanto maior são as incertezas, maior é o prêmio (ou seja, a taxa) exigido pelo mercado para comprar títulos do governo.
Os baixos juros pagos hoje indicam que a procura por hedge diminuiu, ou seja, o receio de um grande aumento na cotação do dólar é menor.


