O quadro predominante de instabilidade internacional fez do dólar comercial o investimento mais rentável em fevereiro, com valorização de 3,75%, e da Bolsa de São Paulo o pior, com baixa de 10,08%. A alta ampliou o avanço do dólar no ano para 4,92%, enquanto a queda das ações no mês que acabou fez encolher a valorização acumulada no ano, em dois meses, para 4,14%.
Entre o dólar comercial, no topo, e as ações, na rabeira, acomodaram-se as aplicações de renda fixa. O rendimento de todas elas, da caderneta aos fundos, passando pelos CDBs, correu acima da inflação de 0,23% calculada pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M).
Mais uma vez se deu bem quem insistiu no conservadorismo e procurou o porto seguro das aplicações remuneradas por taxas de juros. Ou se amarrou em um fundo cambial, cuja rentabilidade segue basicamente a variação do dólar comercial, aposta de altíssimo risco.
A aceleração do preço do dólar foi alimentada pelas incertezas com o ritmo de desaquecimento da economia norte-americana, temperado nas últimas semanas com indícios de pressão inflacionária, e pela crise financeira na Turquia. A crise turca trouxe de volta também as preocupações com a sa© úde da economia argentina. São questões que afetam o movimento de capitais e pressionam o câmbio, porque o País depende de dólares para fechar boa parte das contas externas.
A saída de capital estrangeiro do mercado de ações, cujas compras haviam sustentado a alta em janeiro, esvaziou os negócios e deprimiu as cotações em fevereiro. O investidor em ações tem reagido a sinais contraditórios emitidos pela economia norte-americana e alimenta a expectativa de nova rodada de corte dos juros norte-americanos para que a bolsa doméstica retome trajetória de valorização.

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