Dólar comercial fecha cotado abaixo de R$ 3,30
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2003
Agência Folha 
São Paulo O anúncio de mais duas captação no exterior, dessa vez feitas pela Vale do Rio Doce e pela CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão), fez com que o dólar fechasse com o menor valor desde o dia 17 de setembro. A moeda caiu 1,42% e encerrou o dia cotada a R$ 3,258. No ano, a desvalorização é de 8,1%.
Segundo operadores, a captação de U$ 300 milhões da Vale do Rio Doce já era esperada. Mesmo assim ela surpreendeu alguns pelo volume, pelo prazo da operação (dez anos) e pela taxa (Libor taxa interbancária de Londres mais 1,85% ao ano) inferior ao custo de operações semelhantes nos últimos meses.
A operação de U$ 39 milhões da CST, devido ao volume menor em relação ao da Vale, teve menos repercussão. Como todas as captações anunciadas desde a posse do novo governo vieram de bancos, os anúncios feitos ontem causaram um novo impacto no mercado, principalmente devido à expectativa de que outras empresas anunciem operações semelhantes.
Além disso, contribuiu para a queda do dólar a operação concluída ontem pelo Banco Central (BC) de rolagem de 96,9% dos títulos da dívida cambial do governo que vencem amanhã.
Os títulos são pagos pelo valor da Ptax (preço médio diário do dólar medido pelo Banco Central) do dia anterior ao vencimento. Como nos últimos meses o BC não conseguia efetuar a rolagem, devido às altas taxas pedidas pelo mercado, a cotação da moeda era fortemente pressionada nos dias próximos ao resgate dos títulos.
Entretanto, alguns analistas acreditam que, com a queda sofrida nos últimos dias, o BC poderia não ter efetuado a rolagem e ter preferido resgatar os títulos, diminuindo o percentual da dívida pública atrelada ao dólar.
Para isso, o banco poderia conter uma eventual pressão de alta por meio de uma intervenção direta, como por exemplo com a venda de dólares no mercado à vista. Segundo analistas, apesar de o mercado de câmbio ainda ter liquidez reduzida em relação ao início do ano passado, as condições atuais são bem mais tranquilas do que as dos últimos dois meses e, no caso de alta, uma intervenção do BC faria rapidamente a cotação cair.
Mas alguns analistas acreditam que ainda é cedo para que o BC mude a atual estratégia de rolar os títulos cambiais. Para isso, os operadores argumentam que o novo governo ainda deve esperar um pouco para que o dólar se estabilize e mostre qual será o patamar de equilíbrio entre oferta e demanda.


