'Dólar comercial argentino' encarece produto brasileiro
O dólar comercial argentino, anunciado na sexta-feira para a área de comércio exterior do país, vai encarecer os produtos brasileiros exportados para esse mercado. Conforme cálculo feito pelo próprio Ministério de Economia argentino, toda vez que o dólar subir para 1,08 peso para as exportações, a alíquota de importação máxima de 35% para produtos importados de fora do Mercosul ficará também 8 pontos porcentuais menor. Isto é, a Tarifa Externa Comum (TEC) de 35% acabará ficando com 27% na Argentina.
Como essa redução de 8 pontos serve apenas para a TEC máxima e como não existe tarifa de importação entre o Brasil e a Argentina (membros do Mercosul), os produtos brasileiros importados terão de ser pagos com um dólar valendo 1,08 peso. Com isso, a Argentina buscará compensar, embora parcialmente, a desvalorização do real, que já é de 22% no ano.
Para o ministro da Economia, Domingo Cavallo, essa medida vai melhorar o câmbio pelo menos em 20%, principalmente as vendas externas do setor agropecuário. Cavallo nega que a Argentina esteja saindo da conversibilidade, já que, do ponto de vista monetário, o peso continua valendo 1 dólar. O ministro aproveitou o domingo para redigir uma carta que começou a enviar aos míopes do mercado.
Na carta, enviada por e-mail, Cavallo explica que as medidas anunciadas na sexta-feira fortalecem a solvência fiscal, melhoram a competitividade argentina e os incentivos aos investimentos e incorporam elementos para aumentar a demanda interna. O ministro enfatiza também que as novas medidas não implicam mudança alguma no sistema cambial argentino. De acordo com ele, os argentinos que têm dívidas em dólar precisam ficar tranquilos porque não haverá desvalorização.
CestaO Senado argentino debaterá e votará amanhã a lei de conversibilidade ampliada, conhecida informalmente como cesta de moedas. Com esta cesta, o peso, atualmente vinculado ao dólar, passará a estar vinculado também ao euro. Desta forma, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, completará o processo de flexibilização do peso, iniciado na sexta-feira passada com o anúncio da alteração da relação do peso com o dólar para o comércio exterior. A relação das duas moedas, no que concerne exclusivamente ao setor externo, passou a contar desde ontem com o euro.
Com esta alteração, o dólar para a exportação valerá no início US$ 1,08, enquanto que para a exportação será de US$ 0,92. Desta forma, Cavallo pretende reativar o setor exportador argentino, que nos últimos anos perdeu competitividade por estar amarrado inflexivelmente ao dólar.





