Agência Folha
De São Paulo
O Banco Central interveio ontem no mercado de câmbio para segurar a contínua queda do dólar em relação ao real. Segundo operadores de grandes bancos, o BC teria comprado de US$ 30 milhões a US$ 50 milhões junto a seis ou oito ‘‘dealers’’ (bancos que atuam como agentes da autoridade monetária no câmbio).
Depois de chegar a R$ 1,709, o dólar subiu e encerrou o dia cotado a R$ 1,734. Os operadores concordaram que o montante de dólares comprado pelo BC não foi grande, mas o suficiente para inverter a tendência de queda da moeda norte-americana porque o mercado está com baixa liquidez (poucos negócios com dólares estão sendo feitos).
Esta foi a terceira vez desde janeiro de 99, quando o câmbio passou a flutuar, que o BC comprou dólares para conter a valorização do real. A primeira foi em março de 99.
O secretário-executivo da Camex (Câmara de Comércio Exterior), Roberto Giannetti da Fonseca, afirmou que a cotação do dólar entre R$ 1,70 e R$ 1,80 não causa dificuldades para as exportações. Ele acredita que a tendência de queda da moeda deve mudar nos próximos meses.
O mercado financeiro interpretou que a compra de dólares feita ontem pelo Banco Central significa que a instituição estabeleceu um piso informal para o câmbio. Quando o BC compra dólares à vista, ele diminui a oferta da moeda norte-americana no mercado, o que contribui para que ela se valorize em relação ao real.
Quando o dólar cai, o real fica mais forte, o que torna os produtos brasileiros mais caros, ou menos competitivos, no exterior. Isso dificulta os planos do governo de aumentar as exportações.
A autoridade monetária começou a fazer ofertas de compra aos ‘‘dealers quando o dólar chegou ao patamar de R$ 1,709 para compra e R$ 1,711 para venda. Esse, segundo os profissionais do mercado, seria o piso informal com que o BC estaria trabalhando. O dólar encerrou o dia cotado a R$ 1,732 para a compra e R$ 1,734 para a venda.
O mercado concorda que o montante de dólares comprados pelo BC não foi grande, mas serviu como um sinal de que a autoridade monetária não pretende ver a cotação da moeda dos EUA abaixo do nível atual.
Segundo o economista Octavio de Barros, do BBV, o BC conta com três instrumentos para segurar o câmbio: comprar dólar à vista, reduzir a taxa básica de juros ou emitir títulos federais corrigidos pelo câmbio. ‘‘O BC está fazendo um pouco de cada, o que é correto. O Brasil não pode perder agora as vantagens conquistadas com a desvalorização da moeda’’, disse.