Dólar chega a 4 pesos na Argentina, BC intervém para forçar baixa
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quarta-feira, 26 de junho de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires O dólar voltou a causar dores de cabeça no governo do presidente Eduardo Duhalde ontem. No meio de uma jornada turbulenta dentro e fora do país, a moeda americana começou o dia em alta, ultrapassando por várias horas a barreira psicológica dos 4,00 pesos, chegando até 4,15 pesos. No entanto, no fim do dia, graças à uma intensa intervenção do Banco Central, que injetou US$ 51 milhões no mercado cambial, o dólar voltou ao nível da véspera. Nos bancos, foi cotado em 3,85 pesos, enquanto que nas casas de câmbio permaneceu em 3,95 pesos.
A culpa de grande parte da alta da moeda americana está sendo colocada nas incertezas que pairam sobre a possibilidade de um acordo argentino com o FMI. O ministro da Economia, Roberto Lavagna, está nos EUA, onde pretende conseguir algum sinal do Fundo de que o acordo estaria perto. Mas, a expectativa em Buenos Aires é de que o ministro naufragará nessa tentativa.
O ministro do Interior, Jorge Matzkin, declarou que o valor do dólar é muito alto e que se deve à ação de especuladores. Matzkin disse que espera que a sensatez prevaleça. Segundo ele, este valor incomoda e preocupa.
Alfredo Piano, proprietário da casa de câmbio mais tradicional de Buenos Aires, a Casa Piano, afirmou que a escalada da moeda americana está sendo causada pelas grandes incertezas políticas e econômicas.
Para o ex-secretário de Programação Econômica Miguel Bein, a intervenção do BC é necessária: na medida em que o BC não intervenha, o preço do dólar ficará amarrado às expectativas políticas. Neste cenário, o preço do dólar não tem limite.
Um dos economistas mais duros com o governo Duhalde, Jorge Avila, da Universidade do Centro de Estudos Macroeconômicos da Argentina (CEMA), considera que a disparada da moeda americana continuará enquanto não for feita uma dolarização da economia.
Para muitos analistas, existe uma grande defasagem entre o aumento do dólar, que subiu 300% desde a desvalorização da moeda nacional, o peso, ocorrida no início do ano, e os aumentos dos preços dos produtos, que subiram em média 80%. A análise é que um dos dois índices terá que corrigir-se rapidamente, seja com o aumento da inflação ou a queda do dólar.


